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Como as famílias ricas dilapidam seus patrimônios

14/05/2014 11:09
Em 90% dos casos, ciclo "pobreza-riqueza-pobreza" ocorre em três gerações
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A base do gerenciamento financeiro moderno está na promessa de que você pode transferir o que sobrou de seu patrimônio para as gerações futuras. Mesmo assim, a probabilidade de seu dinheiro durar é pequena e estudos estimam que o ciclo familiar "da pobreza à riqueza e de volta à pobreza" acontece em 90% dos casos após três gerações.

Um novo estudo da Merrill Lynch sobre o patrimônio de famílias que têm mais de US$ 5 milhões disponíveis para investimentos tenta encontrar os obstáculos futuros à riqueza sustentável. O desejo não é a questão - cerca de 70% dos 171 participantes da pesquisa, realizada em dezembro de 2013, afirmaram querer que seu dinheiro sobreviva a eles, com apenas 17% efetivamente manifestando a vontade de ele durar para sempre.

Mas quase todos nesses 70% têm uma expectativa desmedida sobre o quanto eles poderão usar para que sobre dinheiro - quase um quarto dos participantes estariam falidos enquanto ainda estivessem vivos, se gastassem no ritmo desejado por eles. Outros 20% não têm ideia do nível de distribuição que os manteria confortáveis para sempre. Apenas 16% identificaram corretamente uma taxa de distribuição na faixa de 1% a 3% ao ano para manter o patrimônio.

A "Reuters" conversou com o coautor do estudo Michael Liersch, especialista da Merrill Lynch em finanças comportamentais, para descobrir o que as pessoas estão fazendo para desperdiçar seus patrimônios.

Onde as coisas começam a dar errado para as famílias ricas?

Michael Liersch: As pessoas tendem a ser generosas demais, de modo que acabam dando muito dinheiro para membros da família ou sem fazer uma contabilidade. Isso serve apenas para colocar em risco seu futuro financeiro. Na quarta ou quinta geração você pode passar de quatro pessoas para mais de cem, e isso vai influir na quantidade de dinheiro a ser distribuída a cada indivíduo. Você precisa ser bem explícito em relação ao uso futuro do dinheiro.

O que elas deveriam fazer para estabelecer alguns parâmetros para si mesmas?

Liersch: O ponto de partida natural é: 'Vou ficar bem?' Depois você precisa se perguntar: Qual é o resultado que estou buscando? A parte importante é colocar isso no papel e comunicar para cada um da família de uma maneira objetiva. Cerca de 40% dos indivíduos que pesquisamos disseram que nunca é cedo demais para começar as discussões sobe finanças com a família, mas bem poucos fazem isso.

Falar de dinheiro deixa muitos desconfortáveis. Como estruturar a discussão para evitar ressentimentos?

Liersch: O maior erro que as pessoas cometem é confundir discussões sobre patrimônio com o volume de dinheiro que você vai ou não receber. Para as pessoas da segunda geração, há um fardo extremo atrelado ao dinheiro. A frase que mais ouvimos é: 'Não quero ser aquele que vai estragar tudo'. Para fazer esse patrimônio durar para sempre, você provavelmente vai precisar do trabalho das gerações futuras para que os recursos sejam rentabilizados.

O que ajuda as famílias a conversar sobre dinheiro de uma maneira mais eficiente?

Liersch: Você pode tomar boas decisões nas discussões sem mencionar quantia de dinheiro. Muita gente usa a estrutura 'poupar, gastar, dividir, investir'. Pense nas doações anuais que se pode fazer sem incorrer na cobrança de impostos. Você pode ter pais que doam US$ 28 mil a cada filho e pedem para eles alocarem esse dinheiro de acordo com essas quatro categorias. Isso pode dar início a uma consciência de diálogo, especialmente no sentido de uma reunião familiar. Então, você pode iniciar um processo de treinamento.

Muito rancor familiar ainda é provocado pela partilha dos bens. Como evitar isso?

Liersch: Você pode pensar nisso em termos de igualdade, mas não pode confundir isso com justiça. Se você tem US$ 10 milhões para dividir entre dois filhos, o que você faz? A chave aqui é que cada família é diferente. Você pode dar a cada filho uma pequena quantia para que eles trabalhem o dinheiro e assim tentar entender seus comportamentos. Talvez você dê US$ 5 milhões a um filho, mas imponha mais parâmetros e restrições. Ou talvez você doe mais dinheiro para um do que para o outro. Eu não chamaria isso de teste - e, sim, apenas de coleta de informações. No momento em que você faz um teste, a coisa se torna intimidadora. Trata-se aqui apenas de observar o comportamento para que você possa se pronunciar sobre ele. Comece o diálogo, porque a colaboração é o segredo.


Fonte: Valor Econômico, Beth Pinsker (Reuters) - Tradução de Mario Zamarian - 12.05.2014
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