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Silva, o terceiro maior acionista da Abril Educação

14/03/2013 17:14
Silva, que fundou a Wise Up, mudou-se com a família para a Europa, onde vai passar por várias cidades neste ano
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"Comecei a trabalhar com escolas de inglês por acaso, aos 19 anos. Era algo provisório, enquanto não começavam as aulas da faculdade, e também servia para eu ter algum dinheiro para pagar o cinema da minha namorada", disse o carioca Flávio Augusto da Silva, 41 anos, ao contar a história de como fundou a rede de escolas de inglês Wise Up, vendida em fevereiro para a Abril Educação por R$ 877 milhões. Além de levar pouco mais da metade desse valor em dinheiro, Silva tornou-se o terceiro maior acionista da companhia criada pela família Civita. A troca de ações foi uma de suas exigências na negociação, que durou seis meses.

Fundada em 1995, quando Silva tinha apenas 23 anos, a Wise Up vinha chamando atenção do mercado e recebendo propostas de fundos de investimentos e concorrentes há quatro anos. "A partir de 2008, quando o setor de ensino começou a consolidar, comecei a receber propostas de concorrentes, fundos de investimentos e bancos. Houve uma fase em que recebia 25 ligações por mês", disse Silva, que levou quatro anos para amadurecer a ideia de vender seu negócio.

Entre 2009 e 2012, a empresa dobrou de tamanho e hoje tem margens superiores a 50%. No ano passado, a receita líquida foi de R$ 162,8 milhões e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 85,6 milhões.

Os números da Wise Up multiplicaram-se tão rapidamente graças à criação de um modelo pedagógico diferenciado e uma agressiva estratégia comercial. "Focamos em inglês para adultos, com duração de 18 meses. Na época, não havia escolas exclusivas para esse público e os cursos tinham duração de sete anos. Um adulto não queria estudar com crianças e adolescentes por tanto tempo", disse. "No começo, fomos chamados de charlatão". Silva explica que a Wise Up criou um modelo pedagógico que ensina apenas o que é mais usual no dia a dia.

Na área comercial, a estratégia comercial é agressiva. Cada aluno indica cerca de 20 colegas que poderiam estudar na Wise Up, em troca de descontos na mensalidade ou no preço do material didático. "Ligamos para essas pessoas e vamos até a sua casa ou trabalho apresentar nossa proposta. Não ficamos esperando o cliente vir à escola", disse Silva.

"Um dos diferenciais da Wise Up é a sua estratégia comercial e queremos, inclusive, trazer para a Abril Educação", diz Manoel Amorim, presidente da companhia. "A Wise Up realmente trouxe para o mercado um novo modelo pedagógico. Antes, era tudo meio parecido", disse um concorrente que prefere não ser identificado. Hoje, muitas escolas de inglês têm cursos com duração de 18 meses.

A ideia de criar uma escola de inglês com duração de um ano e meio veio da época em que Silva trabalhava na Mnemo System, a escola que lhe deu o primeiro emprego quando ele tinha 19 anos e cujo salário era usado para pagar o cinema da namorada, que hoje é sua mulher e mãe de seus três filhos. Na Mnemo System, sua função era prospectar novos alunos. Em pouco tempo, contou, conseguiu angariar centenas de alunos e foi promovido a gerente. Lá permaneceu por quatro anos.

Após esse período, Silva abriu a sua própria escola de inglês, a Wise Up. "Comecei com R$ 20 mil do cheque especial, que cobrava juros de 12% ao mês. Não tinha ninguém para ser fiador de empréstimo mais barato. Muito menos, pai rico", disse.

Ele lembra que a primeira unidade da Wise Up foi inaugurada no centro do Rio e já no primeiro ano matriculou 1 mil alunos. Oito meses depois, abriu uma escola na avenida Paulista, em São Paulo, e conquistou 2,5 mil estudantes. "Essa escola da Paulista foi um sucesso. Tinha faturamento de US$ 500 mil por mês e com esse dinheiro financiei as minhas outras 24 escolas", lembrou. Foi nesse momento que o jovem empresário deu o pulo do gato. Comprou a Mnemo System, que com o sucesso da Wise Up, havia encolhido. "O Mario [Magalhães, fundador da Mnemo System] veio trabalhar conosco e foi fundamental para a nossa expansão", afirmou.

Em 2009, mudou para os Estados Unidos e passou a cuidar exclusivamente da área estratégica da Wise Up. "Sair do operacional já era uma ideia antiga. Mas confesso que sou centralizador e não foi fácil. Em 2006, fui morar na Austrália para ficar bem longe, mas não deu certo. O crescimento da empresa caiu e tive que voltar em um ano", disse. "Em 2009, capacitei melhor meus profissionais e também amadureci. Fui morar nos Estados Unidos e de lá para cá a empresa dobrou de tamanho. Acho que eu no Brasil estava atrapalhando", brincou.

Na sua temporada nos Estados Unidos, outro negócio despertou sua atenção: o futebol. Alguns dias depois de fechar com a Abril Educação, Silva fechou a compra de 85% do time americano de futebol Orlando City em uma operação avaliada entre US$ 65 milhões e US$ 80 milhões. Parte desse dinheiro será destinada à construção de um estádio para o Orlando City, que atualmente joga na terceira liga de futebol dos Estados Unidos, conhecida como United Soccer League (USL). O objetivo do brasileiro é levar o time à Major Soccer League (MSL), uma espécie de primeira divisão do nosso futebol. Para participar dessa categoria, o time precisa ter um estádio próprio. "Muitas pessoas acham que o futebol não é conhecido nos Estados Unidos. Mas já há 200 milhões de torcedores e um enorme potencial de crescimento", disse Silva. Nos últimos três anos ele morou em Orlando. Aqui no Brasil ele torce para o Flamengo. Entre os seus projetos para Orlando City, está a abertura de uma rede de franquias de escolas de futebol nos Estados Unidos.

Centralizador confesso, Silva iniciou uma fase de administração de seus negócios a distância por um ano. No mês passado, mudou-se com a mulher Luciana e seus três filhos Brenno (13 anos), Bernardo (11) e Benjamin (2) para Barcelona. Lá ficarão por três a quatro meses e depois partirão para Paris, Milão e Londres, onde também permanecerão por esse mesmo período em cada cidade.

"Contratamos dois professores americanos que viajarão conosco neste ano para dar aulas aos nossos filhos, com um programa que inclui também conteúdos de história, economia e sociologia dos países em que vamos morar. É um projeto familiar, mas também vou aproveitar para prospectar negócios na Europa", disse Silva, logo após seu filho caçula pedir para conversar com a repórter para desejar um "boa noite, tia".

Fonte: Valor Econômico, por Beth Koike - 13.03.2013
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