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Qual a diferença entre as empresas familiares do Brasil e as de outros países?

30/11/2010 12:00
“Os empresários brasileiros são mais ambiciosos. Eles acreditam.” O professor de Harvard Jon Martinez, especialista em gestão de empresas familiares, mostra o melhor caminho para conciliar, sem traumas, família e negócios

Antes de assumir uma função dentro da empresa familiar, os herdeiros deveriam trabalhar em outras companhias e acumular experiência. Essa é a opinião do professor chileno Jon Martinez, que trabalha ao lado de John Davis, referência mundial no assunto, no centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos da Universidade Harvard. Autor de três livros sobre gestão de empresas familiares, Martinez esteve em São Paulo para participar de um evento promovido pela HSM. Em entrevista exclusiva a Pequenas Empresas & Grandes Negócios, o especialista falou sobre como conciliar questões familiares e empresariais sem traumas. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Que vantagens uma empresa familiar tem sobre as companhias concorrentes?
De uma maneira geral, empresas familiares têm uma visão de longo prazo. Os empresários tendem a trabalhar para construir algo para as futuras gerações. Outra vantagem é que esses empreendedores costumam ser mais rápidos ao tomar decisões. Há ainda o comprometimento dos gestores com a empresa, que acaba sendo transmitido para os outros funcionários. O estilo de atuação e os valores dos gestores também costumam ser assimilados, o que colabora para criar uma cultura corporativa mais forte. Em muitos casos, os nomes das famílias são as marcas das empresas. Isso faz com que elas se preocupem mais com a excelência.

E quais são os maiores desafios?
O maior deles é a sucessão. Em geral, os pais querem colocar os filhos no controle da empresa, mas o crescimento do negócio torna a situação mais complexa do que eles haviam imaginado. O talento para o gerenciamento de empresas não é inerente a todos os membros da família. Às vezes, é preciso admitir que não existe na família alguém com talento para assumir a empresa e buscar profissionais do mercado. Isso é difícil, tanto para os pais quanto para os filhos.

O sr. costuma dizer que as futuras gerações devem trabalhar em outras empresas e adquirir experiência. É o melhor caminho?
Com certeza. Jamais entre nos negócios da família até que você tenha experiência de vida e conhecimento da empresa. É importante trabalhar com um chefe que não seja seu pai por três ou quatro anos. Durante esse tempo, você vai aprender a se comportar como um profissional, sem nenhuma influência familiar. Só depois poderá descobrir qual o seu papel dentro da empresa.

Empresas familiares devem ter um conselho de administração?
Sim. Esse é um dos mais eficientes recursos de gestão para companhias familiares. De uma maneira geral, quando as empresas atingem um tamanho mínimo — com vendas acima de US$ 5 milhões —, chegou a hora de montar o conselho. Ele deve ter membros da família, mas também profissionais de fora: a combinação perfeita é 50% de cada. Ou 60% de familiares, e 40% de não-familiares. Essas pessoas precisam ser bem selecionadas, de maneira que tragam conhecimento e experiência. O conselho deve se reunir apenas para tratar de assuntos importantes, e não para questões do dia a dia. Não existem fórmulas secretas para um bom conselho. Ele precisa agregar valor e checar o funcionamento das operações.

Nas pequenas empresas, como deve ser formado esse conselho?
Quando a empresa está na primeira fase do desenvolvimento, o fundador não precisa de um conselho formal. Ele pode ter um grupo com três conselheiros, que estejam disponíveis para conversas três ou quatro vezes por ano. Isso é o bastante. Para as médias, recomendo um conselho mais formal.

Qual a diferença entre as empresas familiares brasileiras e as de outros países?
O que me chamou a atenção foi a ambição global. Elas não se comportam como empresas de um país em desenvolvimento, agem como se estivessem competindo entre os maiores do mundo. Os brasileiros são ambiciosos e têm plena convicção de que podem ser líderes globais. Isso não acontece em outros países. Os empresários brasileiros são os mais ambiciosos da América Latina.

Quais os principais desafios das pequenas e médias empresas familiares no Brasil?
Durante muito tempo, o Brasil foi um país protecionista. Ainda hoje, muitas empresas dependem do mercado interno para sobreviver. No Chile, a economia está aberta faz tempo. Isso forçou nossas empresas a serem mais competitivas. No Brasil, isso ainda é recente. Por isso, as médias empresas estão tendo que competir com as multinacionais, e também com empresas de países como China e Índia. Ao mesmo tempo, concorrem com companhias brasileiras de grande porte. É um desafio duplo. Mas sou otimista. Acredito que as empresas estão preparadas para enfrentar as situações que descrevi. Tenho certeza de que o Brasil estará entre os principais países do mundo em pouco tempo.

Fonte: Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios – Wilson Gotardello Filho – novembro/2010

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