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Positivo lança conteúdo na internet para atrair usuário

16/02/2012 20:23
Hélio Rotenberg, presidente da Positivo Informática: estreia bem-sucedida no mercado argentino, novo tablet e entrada no segmento de ultrabooks
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Não é de hoje que os fabricantes de computadores buscam novas fontes de receita para fortalecer seus negócios em um mercado competitivo e de margens apertadas. Essa combinação entre concorrência crescente e margens em queda é potencialmente explosiva, mesmo para as maiores companhias do setor. Daí o cuidado com que as marcas estão criando estratégias para desarmar o que, sem controle, poderia se converter em uma bomba-relógio. Na Positivo Informática, líder do mercado brasileiro de computadores em número de unidades, o plano está pronto. O projeto apoia-se em dois pontos: reforçar a oferta de serviços aos clientes e criar um braço de atuação forte em São Paulo.

O estudo para a criação de novas áreas de atuação começou em 2010. Tendo como exemplo o caminho tomado por multinacionais do setor, a Positivo decidiu incrementar a oferta de produtos, mas com uma diferença: o reforço não será no mercado empresarial, que se tornou foco das concorrentes. "Somos mais fortes em varejo, então vamos atender o consumidor", diz Hélio Rotenberg, presidente da Positivo Informática.

Isso significa fazer com que a companhia de equipamentos passe a olhar com atenção um termo que sempre foi mais comum no setor de mídia: conteúdo.

A estratégia, que começou a ser adotada "timidamente" em novembro, como classifica o empresário, será " a grande novidade" de 2012. "Ao longo do tempo, [o reposicionamento] pode mudar significativamente nossos resultados financeiros", afirma.

Quem entra no site da fabricante é direcionado para um portal, o Mundo Positivo, onde há uma loja com produtos (livros, música e jogos) e serviços (ajuda para quem tem o computador infectado por vírus, por exemplo). São 6,5 mil livros eletrônicos em português e 1 milhão de músicas disponíveis para download. No site também há anúncios publicitários, notícias compradas de agências e análises de produtos feitas por equipes da própria empresa. "Queremos ser um portal de notícias, como o UOL e o Terra, para manter as pessoas próximas da nossa loja", diz Rotenberg.

A ênfase na chamada área de negócios digitais criou outra base geográfica para a Positivo. Sediada em Curitiba, a empresa escolheu a cidade de São Paulo para servir de base à nova frente de atuação. Com 60 profissionais, o braço paulistano já recebeu R$ 11 milhões em investimentos no ano passado e conta com um valor no mínimo idêntico - talvez até superior - para o exercício atual.

A Positivo também vê com expectativa o desempenho da unidade inaugurada na Argentina, no ano passado. A concorrência no mercado vizinho é menor, e as margens, melhores, afirma Rotenberg. No terceiro trimestre, a empresa vendeu 190 mil notebooks no país vizinho sob a marca Positivo BGH e assumiu a liderança de mercado, poucos meses depois de seu ingresso. "A Argentina já vai transferir um bom lucro", diz Rotenberg, que planeja sedimentar a atuação da primeira subsidiária internacional antes de cruzar outras fronteiras. Recentemente, a empresa participou de uma licitação no Uruguai, mas sem sucesso.

Os resultados financeiros mais recentes refletem o esforço da Positivo para manter-se saudável. No terceiro trimestre, a empresa obteve lucro líquido de R$ 3,2 milhões, revertendo as perdas do segundo trimestre. Mesmo assim, o desempenho significou uma queda de 79% em relação ao mesmo período de 2010. Os dados, segundo a companhia, incluem um ajuste extraordinário no segundo trimestre, relativo à revisão da estrutura de pós-vendas pela companhia.

Não há previsão de investimento para aumentar a capacidade das fábricas. Mensalmente, a Positivo tem capacidade para produzir 20 mil PCs em Manaus, 10 mil computadores e 70 mil monitores em Ilhéus (BA), e 380 mil PCs, 60 mil gabinetes e 127 mil placas-mães em Curitiba (PR). Na Argentina, são 60 mil notebooks e 30 mil placas-mãe/mês.

Depois de lançar um tablet de sete polegadas em novembro, a companhia pretende apresentar no fim do mês a versão de 10 polegadas e, ainda neste semestre, estrear no segmento de ultrabooks, notebooks mais finos e leves.

Escala permanece o ponto central da estratégia da Positivo na produção de equipamentos. "Vamos brigar por volume eternamente", afirma Rotenberg. Essa é a maneira com que a companhia pretende competir, sem reduzir margens. "Apertar mais é impossível", diz o empresário.

Não é fácil determinar preço na indústria de computadores, sujeita a fatores que incluem da variação do dólar a acidentes climáticos em centros de produção de componente. As enchentes na Tailândia, em outubro, por exemplo, afetaram a oferta mundial de discos rígidos. Rotenberg diz que o preço dos discos triplicou. Foi preciso revisar a administração dos estoques e repassar parte do custo aos consumidores, uma medida que começará a ser sentida nas próximas semanas. Os modelos mais baratos vão ficar cerca de R$ 100 mais caros, e os que já custavam mais terão incremento de R$ 200.

A Positivo aguarda a confirmação do resultado do pregão feito em janeiro, pelo Ministério da Educação, para a compra de tablets. De qualquer maneira, a expectativa é que a demanda do governo neste ano será maior que a de 2011, afirma Rotenberg.

Há três anos, a Positivo recebeu uma proposta de compra da chinesa Lenovo e desde então frequentemente reacendem os comentários de que a empresa estaria sendo sondada por grupos internacionais. Questionado se pudesse voltar atrás e aceitar a oferta da Lenovo, Rotenberg é taxativo. "Eu daria a mesma resposta: não. Acredito na empresa."

O empresário mantém a discrição sobre outra negociação, que envolve uma parceria com a Foxconn. A gigante chinesa tem cinco fábricas no Brasil - em Jundiaí (SP), Santa Rita do Sapucaí (MG) e Manaus. A unidade mais recente construída em Jundiaí, ainda em fase de teste, vai abrigar a produção local de produtos da Apple, como o iPhone e o iPad. "Continuamos estudando [uma possível aliança]", diz Rotenberg. Dois representantes da Positivo foram a Taiwan recentemente, com outros interessados em estabelecer sociedade em uma fábrica de telas. "Discutimos verticalização [o mesmo fabricante faz tudo de que necessita] há muito tempo. Pesquisamos o assunto e nos colocamos como interessados para o governo e a Foxconn", diz o empresário, sem revelar detalhes. Na indústria de PCs em mutação, guardar segredo dos concorrentes é uma vantagem estratégica que não muda.

Fonte: Valor Econômico - Marli Lima, 15.02.2012

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