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Pedido do Casino para renúncia não tem 'fundamento', diz Abilio

20/02/2013 17:18
Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar
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O empresário Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do GPA (Grupo Pão de Açúcar), reagiu ao pedido do controlador da companhia, o Casino, para que deixe a empresa por "conflito de interesse". Abilio é cotado para integrar o conselho de administração da BRF, fornecedor do GPA.

"A BRF não é concorrente da CBD (Companhia Brasileira de Distribuição), mas uma de suas fornecedoras. Não existe entre as companhias relação de dependência, nem qualquer delas tem capacidade de exercer influência relevante sobre o comportamento da outra", afirmou Abilio, em voto no conselho de administração realizado ontem (19).

Segundo ele, não se encontra na lei brasileira ou no acordo de acionistas celebrado com o Casino restrições à eventual participação dele no conselho de administração das duas companhias.

"É, aliás, muito frequente na prática empresarial a participação de investidores e executivos no conselho de administração de diferentes companhias. Na própria CBD, tal situação já se verifica", disse Abílio.

Ele se refere ao caso do conselheiro Cândido Bracher, que, segundo Abilio, atua como "administrador no grupo Itaú, que tem relações financeiras estratégicas com a CBD há muito anos".

A discussão com os conselheiros que pedem sua renúncia continuou. "Estaria Cândido Bracher, por esse motivo, impedido de exercer o cargo de conselheiro de administração da CBD? Ora, é claro que não existe o impedimento. Pelo contrário, a experiência de Cândido Bracher no Itaú tem sido altamente benéfica para a CBD.", complementou Abilio.

O empresário disse que o voto de conselheiros que pediram sua saída não apontam "qualquer elemento concreto, de natureza econômica ou jurídica, para justificar tal conflito, tratando-o como se fora algo abstrato e puramente teórico" -- ressaltou ao se referir aos votos de Arnaud Strasser e Marcelo Trindade, advogado do Casino.

O assunto também foi abordado nesta quarta-feira durante teleconferência com analistas para apresentar o resultado da companhia.

INSENSATA

"A iniciativa dos conselheiros indicados pelo acionista Casino é insensata e desprovida de qualquer fundamento", disse o empresário. "O argumento sobre um suposto conflito de interesses, que me impediria de exercer ambos os cargos, é vazio. Nada mais do que um pretexto para mal-dissimular sua real intenção, antes bem delineada."

Abilio ressaltou que " não existe nada de concreto, neste momento, a respeito de minha eventual eleição para o conselho de administração da BRF".

Complementou dizendo que não foi indicado para o cargo, "nem sequer foi convocada assembleia geral de acionistas da BRF para a eleição dos membros do conselho de administração".

Para o empresário. a discussão é feita em tese. "Não há nenhum fato concreto que deva ser analisado ou deliberado por esse conselho. Porém, vale ressaltar desde logo, que se, no futuro, essa hipótese viesse a concretizar-se, não haveria nenhum impedimento para o exercício de minha função como presidente do conselho de administração da CBD."

ESTRATÉGIA DO CASINO

Ao questionar o pedido do Casino, o empresário ressaltou que ele se baseia em uma "percepção" sobre o conflito de interesses e não em fatos reais, como uma regra ou regulamento que aponte essa situação.

Também afirmou que os conselheiros que defendem sua renúncia estão "a interesse do Casino" e não da companhia.

"Ser administrador de outra sociedade não pode, por si só, caracterizar um interesse conflitante. Aliás, mesmo diante de um caso concreto, discute-se se o conflito dos administradores seria formal ou substancial, dependendo, ou não, de prova de prejuízo para a sociedade. Seja formal ou substancial, a lei determina que, havendo um interesse conflitante concreto, o conselheiro deve abster-se de intervir na operação. Nessa hipótese, não se cogita de seu impedimento para o cargo", disse, em sua manifestação.

Abilio também questionou, em seu voto, a atitude do Casino e a forma como tem divulgado informações: "Se a alegação dos conselheiros indicados pelo Casino é destituída de qualquer respaldo jurídico, contrariando, ademais, a prática empresarial brasileira e mundial, o que justificaria a forma agressiva e insistente como vêm abordando o tema, inclusive, com declarações irresponsáveis, divulgadas pela mídia?"

Em resposta a questão, diz que a medida faz parte de estratégia de Casino para retirá-lo da companhia.

"No cenário dos litígios que me opõem ao Casino, ele pretende usar a hipótese de minha eventual eleição para o conselho de administração da BRF como um pretexto, uma artimanha, para tentar afastar-me da presidência do conselho de administração da CBD, o que configuraria patente violação ao quanto estabelecido no Acordo de Acionistas."

Desde que o Casino passou a controlar o Grupo Pão de Açúcar, os conflitos entre os franceses e o empresário se intensificaram.

Afastado do dia a dia da companhia, Abilio mantém, pelo acordo de acionistas, direito vitalício ao cargo de presidente do conselho de administração da CBD.

"A verdade, portanto, é que os conselheiros indicados por Casino, ao alardearem a existência do suposto 'conflito de interesses', não estão a defender o interesse da CBD, mas sim o do acionista que os elegeu", completa Abílio.

Fonte: Folha de S.Paulo - Claudia Rolli e Toni Sciarretta, 20.02.2013

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