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Pague Menos negocia fusão com Ultrafarma

19/12/2011 23:10
Farmácia Pague Menos: a operação seria uma reação ao processo de consolidação do mercado.
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A rede de farmácias Pague Menos, terceira maior do setor com R$ 2,8 bilhões em vendas estimadas neste ano, e a Ultrafarma, varejista com forte atuação na venda on-line de medicamentos, estão em conversas iniciais para uma fusão das operações. É uma reação ao processo de consolidação do mercado, motivado pela união de rivais de peso das duas companhias nos últimos meses.

O Valor apurou que Sidney Oliveira, presidente da Ultrafarma, e Francisco Deusmar de Queirós, presidente da Pague Menos, têm se encontrado frequentemente nas últimas semanas, quando os dois começaram a trabalhar num plano de união dos negócios. Neste último sábado, os empresários estiveram juntos em Fortaleza (CE), cidade sede da Pague Menos, em mais um da série de jantares que os dois têm agendado, de forma sigilosa, quase toda a semana.

Pessoas próximas às negociações contam que as conversas ainda são preliminares, "mas há grande interesse de ambas as partes que as conversas evoluam", afirmou a fonte. "A Ultrafarma está buscando um novo caminho para a operação desde que o imbróglio da separação entre Oliveira e a ex-esposa foi resolvido", conta a fonte.

"Já a Pague Menos se movimenta porque sabe que precisa ganhar mais escala se quiser manter margem e ser competitiva".

Na segunda metade do ano, o varejo de farmácias mudou rapidamente, numa velocidade que surpreendeu analistas e empresas. A líder Drogarias DPSP formou-se em agosto, da união de Pacheco e Drogaria São Paulo. A Raia Drogasil, segunda maior do setor, também foi criada em agosto, num movimento que consolidou os dois grupos nas primeiras colocações do setor. Já a BR Pharma, quarta maior do segmento em vendas, fez três aquisições em 2011, sendo que duas compras foram anunciadas no mesmo mês, em novembro.

Ao ser questionado sobre as negociações, Queirós disse que tem uma amizade de longa data com Oliveira. "Somos muito amigos e Sidney vem sempre para cá [Fortaleza], para descansar um pouco", afirma. Sobre a possibilidade de fusão com a Ultrafarma, o empresário não faz comentários. Oliveira também não se manifestou a respeito do assunto.

Se as negociações avançarem, o grupo criado se mantém na terceira posição do ranking geral do varejo de farmácias, mas se distancia da BR Pharma, do banco BTG.

Juntas, Pague Menos e Ultrafarma são um negócio que deve vender R$ 3,2 bilhões neste ano - R$ 2,8 bilhões da Pague Menos e R$ 400 milhões da Ultrafarma, em valores estimados pelo mercado. Somada, a participação de mercado das duas deve atingir 7,8% neste ano.

A Drogarias DPSP deve faturar R$ 5 bilhões neste ano (12,2% de participação) e a Raia Drogasil, R$ 4,5 bilhões (11% do mercado), segundo estimativa de analistas.

Para a Pague Menos, pode ser um passo fundamental para a operação da companhia ganhar musculatura em São Paulo, e por consequência, se aproximar das concorrentes, no momento em que planeja abrir seu capital na bolsa de valores. O Estado é o foco da atuação da Ultrafarma, onde 80% dos seus produtos são vendidos. A empresa mantém uma agressiva política de preços, baseada em promoções de medicamentos na linha "pague dois e leve três", e possui forte exposição na mídia, com patrocínio de programas na TV aberta, e um trabalho voltado para os aposentados.

Além da venda por telefone e na internet, a Ultrafarma tem quatro lojas físicas: em Campinas (SP), Aparecida do Norte (SP), Curitiba (PR) e no Jabaquara, bairro da zona sul de São Paulo. Também opera um centro de distribuição em Santa Isabel (SP). A Pague Menos soma 459 lojas no país. No Estado de São Paulo são 49 unidades, mais do que o número de pontos em alguns Estados do Nordeste, sede da rede, mas ainda menor que Raia Drogasil e a Drogarias DPSP.

Na avaliação de analistas do setor, é mais provável que, em caso de fusão, a Pague Menos tenha participação maior na holding que pode ser criada com o negócio. Mas é pouco provável
que um dos empresários se afaste da operação. "Os dois são muito ativos e fundaram as redes a partir do zero. Caso se juntem, devem administrar juntos tudo ", diz um analista de um
banco de investimento.



Fonte: Valor Econômico - Adriana Mattos, 19.12.2011

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