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Odebrecht recebe título de melhor empresa familiar

04/10/2010 12:00
Todo ano, Norberto Odebrecht reúne os bisnetos em uma fazenda da família. O ritual ocorre na mesma forma como fez com os netos, todos em fase de pré-adolescência em diante. Durante um mês, o fundador da Organização Odebrecht realiza um processo contínuo de transmissão dos valores que são considerados a base do conglomerado que tem quase sete décadas de existência. Próximo dos 90 anos, a serem completados esta semana, o empreendedor cultiva essa rotina para manter vivos seus princípios empresariais nas gerações futuras.

A terceira geração da família Odebrecht está à frente dos negócios há alguns anos, representada pelo neto Marcelo Odebrecht, diretor-presidente da holding Odebrecht S.A. Dos 15 membros de sua geração, outro participa da gestão e é uma mulher. Seu pai, Emílio, é presidente do conselho da holding, bem como o representante dos acionistas para conduzir os negócios, dentre cinco integrantes de sua geração. A quarta geração já conta com 26 membros.

O objetivo do fundador do grupo, que criou a bíblia de gestão conhecida como TEO – Tecnologia Empresarial Odebrecht – é assegurar a manutenção da cultura expressa na TEO, e perpetuá-la de geração para geração, garantindo a perenidade da companhia, diz André Amaro da Silveira, vice-presidente da Odebrecht S.A. que é responsável por Organização, Pessoas, Planejamento e TI.

Na fazenda, o “doutor Norberto”, como é chamado no dia a dia do grupo, passa aos bisnetos uma série de missões. Na volta, ao trazerem suas realizações, ele faz o trabalho de organização das ideias de cada um. “O doutor Norberto começa a repassar, desde cedo, os princípios que criou e que norteiam a organização”, diz Amaro. Não há trabalhos de consultorias especializadas em gestão familiar nem conselhos de família, como em outros grupos. “A educação é passada dentro de casa mesmo – pelos pais, avôs e o bisavô.”

No grupo há 21 anos, Amaro diz que são quatro os valores da Odebrecht, os quais nasceram com o fundador: espírito de servir, confiança no homem e em sua capacidade de se desenvolver, insatisfação permanente com os resultados e humildade e simplicidade. São três as pilastras – Sobreviver, Crescer (geração de resultados e reinvestimento) e Perpetuar (transferência de valores a cada geração) – da TEO, que representa a cultura empresarial pensada por Norberto. Lúcido, todos dias, às 7 horas da manhã, ele sua marca presença na sede de Salvador (BA)

Sobreviver além da terceira geração é o desafio da maioria de companhias de controle familiar no mundo. Pesquisas de consultorias e instituições internacionais apontam que mais de 80% delas desaparecem até essa fase. São exemplos de quem superou a francesa Hermès, a química belga Solvay – já na sexta geração -, a italiana Barilla, a japonesa Yazaki e a alemã Merck.

A Odebrecht segue o caminho dessas companhias que preservaram seus valores e também se profissionalizaram para perenizar seus negócios e hoje são bem-sucedidas. A partir deste ano, a brasileira passa a integrar o time formado por empresas longevas que desde 1996 são agraciadas com a premiação feita por duas instituições suíças – a escola de negócios e de formação de executivos IMD e o banco de investimentos Lombard Odier.

É a segunda empresa do Brasil, e da América Latina, a receber o IMD-Lombard Odier Global Family Business Award. Em 2005, foi o grupo Votorantim, também com a terceira geração no comando. O título deste ano foi entregue à Odebrecht na sexta-feira à tarde, na The Palmer House, em Chicago, EUA. Foi recebido por Marcelo Odebrecht, acompanhado dos primos Yolanda e Cristovam Rocha e de Manoel Carnaúba, um dos vice-presidentes da Braskem, petroquímica do grupo.

O professor Leleux Benoit, do IMD, disse ao Valor que a “Odebrecht se destacou por sua resiliência durante a crise econômica, por sua cultura corporativa única (com fortalecimento de empresas parceiras, presença internacional e delegação planejada), valores e princípios marcantes (embasados na TEO), expressivo crescimento, inovação (em particular plástico verde, novas tecnologias para hidrelétricas e produção de etanol) e compromisso com responsabilidade social e ambiental”, dentre outros atributos.

A vencedora deste ano saiu de 65 indicações, sendo mais de 10 da América Latina e a escolha foi conduzida pela Family Business Network, maior rede independente de empresas familiares do mundo, com mais de 3 mil associadas em 45 países. “Procuramos por empresas familiares excepcionais em três dimensões: valores familiares, valores do negócio e sustentabilidade – gestão da sucessão”, afirmou Benoit. Ele destaca que as empresas precisam ser globais, ter faturamento superior a US$ 500 milhões e estarem sob o controle da família há pelo menos três gerações.

“O prêmio é um reconhecimento mundial a práticas excepcionais de empresas familiares a partir das quais outras empresas familiares podem aprender”, lembrou, apontando que a lista de vencedores anteriores, por si só, é uma prova da relevância. “Com o prêmio, espera-se, de fato, disseminar alguns valores fundamentais, presentes em empresas familiares, a outros modelos de empresas, como a visão de longo prazo, o forte compromisso socioambiental e o reconhecimento dos acionistas”.

Para André Amaro, companhias de controle familiar ganharam os holofotes principalmente após a crise de 2008/2009, porque se mostraram mais resilientes que as de controle pulverizado. “A profissionalização e a figura do acionista à frente do negócio, com comprometimento de longo prazo, trazem visão de crescimento sustentável”.

Na Odebrecht, que faturou R$ 43 bilhões no ano passado e conta com 87,6 mil integrantes diretos e 37,1 mil terceirizados, a meritocracia predomina, afirma. O membro da família tem espaço para trabalhar na organização, mas é preciso mostrar competência naquilo que faz.

Fonte: Valor Econômico 04.10.2010

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