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Negócio familiar cresce em sapato tamanho grande

20/09/2011 22:07
Com mais de 70 anos de história, a Casa Eurico se mantém no mercado de calçados graças ao seu atendimento especializado em um público ainda pouco explorado pelo setor: o de pés grandes.

A segmentação não foi resultado de estudos de mercado e demanda, mas uma obra do acaso. Herr Erich Rosenthal, fundador da loja, chegou no Brasil no final de 1936 junto com sua mulher e filhos fugindo dos conflitos anteriores à 2ª Guerra Mundial e deixando a loja de calçados e chapéus na Alemanha.

Dois anos depois largaram a vida em uma fazenda em Marília, interior de São Paulo, para tentar investir no próprio negócio.

A ideia veio quando Herr Erich, que já era conhecido como "senhor Eurico", entrou em um bonde na Praça da Sé que ia até Santo Amaro, zona Sul da cidade. A rota foi interrompida em Indianópolis. Herr Erich, ou Eurico, tinha encontrado um lugar parecido com o bairro alemão onde tinha sua loja: longe do centro e com pequenos comércios em volta. Embora sofresse com as frequentes enchentes, o ponto era bom, já que era a única loja de calçados da região e funcionários de outros comércios e indústrias eram clientes habituais.

O que não estava nos planos da família Rosenthal era a vocação da loja para calçados de tamanhos grandes. Quem definiu o perfil da loja foram os próprios clientes, em sua maior parte europeus refugiados da Guerra, que comumente tinham pés maiores que a média da população brasileira.

"A especialização em sapatos grandes aconteceu depois da fundação do shopping Ibirapuera", conta Cláudia Rosenthal, neta de Eurico e responsável pelo marketing e comunicação da empresa.

Na época, Eurico comprou um lote de sapatos de tamanhos grandes de um fabricante brasileiro que teve a venda para a Europa cancelada em virtude da Guerra.

Enquanto o abrasileirado Eurico se concentrava nas negociações com fornecedores, seus filhos cuidavam da publicidade com a divulgação de folhetos.

No final da década de 1940 a fachada foi modernizada e Eurico começou a anunciar a loja em um jornal alemão e na rádio local. Foi nessa época que ele encomendou um lote de sapatos masculinos, com numeração 43 e 44, que foi vendido em poucos dias.

Todo o trabalho era dividido com a esposa, Leonie Rosenthal, que assumiu a liderança após a morte de Eurico. "Ela tinha um braço direito, Hirani Guimarães. Ele foi um desbravador nessa área e assumiu essa tendência de sapatos de tamanho grande", explica Cláudia sobre o gerente que acompanhou a empresa desde 1964 até sua morte, há dois anos.

A terceira geração da família entrou nos negócios no início da década de 1980, com a neta Nídia Rosenthal, formada em administração, que foi incubida de transformar a loja em uma especialista em tamanhos grandes.

A reforma da antiga loja ficou por conta de Vera Rosenthal, irmã de Nídia e arquiteta, que ampliou a vitrine e o estoque da loja.

Aos 90 anos, em 1990, Leonie decidiu deixar o comando da loja para seu filho, Hans Rosenthal, e as três netas, que estão atualmente à frente dos negócios.

Compras à distância

Em meados da década de 1980, as irmãs investiram nas vendas à distância. Todos os calçados eram fotografados e as imagens eram impressas em forma de catálogo e enviadas para clientes cadastrados. A ideia deu certo.

"Foi uma verdadeira surpresa. Naquela época pensar em comprar um sapato sem experimentar era um pouco esquisito", lembra Cláudia.

As vendas on-line começaram em meados dos anos 1990 e hoje são responsáveis por 17% do faturamento da empresa. No ano passado o crescimento das vendas pela internet foi de 52%em comparação a 2009, e no primeiro semestre deste ano as vendas já são 37% superiores ao mesmo período de 2010.

Fonte: Brasil Econômico - Weruska Goeking, 02.08.2011

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