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Leader prevê 20 novas lojas nos próximos três anos

15/09/2010 12:00
Receita da rede fluminense deve aumentar 22% até dezembro.

Abertura de capital, investimento de fundos externos, dinheiro sobrando num mercado repleto de aquisições, nada disso interessa à Leader Magazine, rede fluminense com 45 lojas, das quais 11 em Estados que não o Rio. “Nosso foco é o crescimento orgânico. Este ano vamos abrir sete lojas”, afirma o vice-presidente da empresa, Fernando Labanca. Serão três unidades no Rio, duas em Recife e duas em Salvador.

A empresa de varejo, que vende roupas, sapatos, artigos de cama e banho, além de brinquedos, vai investir cerca de R$ 35 milhões nas novas filiais, tudo com dinheiro próprio. “Temos caixa suficiente. Gastamos o estritamente necessário durante a crise, nos estruturamos e nos preparamos para crescer agora”, conta Labanca. Mesmo assim, em 2009 foram abertas duas lojas, uma no Rio e outra em Salvador. O faturamento atingiu R$ 871,4 milhões.

O ritmo de expansão, a partir de agora, será próximo ao deste ano. De 2011 a 2013 o plano é abrir entre 15 e 20 lojas no país. Labanca diz que as inaugurações podem chegar a sete por ano. Para viabilizar esse crescimento, acrescenta, a empresa espera conseguir um financiamento de um banco de fomento como o BNDES, por exemplo.

“A negociação com a Renner é página virada. O que queremos agora é alavancar o negócio. Também não planejamos comprar ninguém”, afirma o executivo, que já passou pelas Lojas Americanas e pela Casa & Vídeo e chegou à empresa há um ano.

Em outubro de 2008, a Leader quase foi vendida à Renner, que desistiu do negócio de R$ 670 milhões quando a crise financeira ganhou força e secou o crédito da praça. O negócio chegou a ser anunciado oficialmente e posteriormente foi desfeito.

Segundo Labanca, a empresa então montou a nova estratégia. “Não foi necessário demitir ninguém para passar pela crise. Apenas reduzimos investimentos e enxugamos os gastos, para esperamos a hora de crescer”, conta.

Agora, enfrenta outro desafio: encontrar espaço para instalar seu modelo de loja. “Não é fácil achar uma área que tenha entre 2 mil m2 e 3 mil m2. Fizemos um mapeamento de onde há potencial para o crescimento e estamos esperando as oportunidades.” Uma delas é São Paulo. No entanto, o executivo afirma que esse mercado é um dos mais difíceis do país. “Não podemos entrar lá com uma ou duas lojas. Temos que ter um volume maior.”

O executivo faz questão de destacar que os resultados deste primeiro semestre mostram como a empresa está preparada para uma expansão mais arrojada. O tíquete médio cresceu 6% nos primeiros seis meses do ano para R$ 70. A receita líquida do período foi de R$ 302 milhões, com faturamento bruto de R$ 415,8 milhões, ambos crescendo 22% em relação o mesmo semestre do ano passado.

Segundo Labanca, o avanço da receita é entre dois e seis pontos percentuais acima do percentual obtido pelas redes de varejo que divulgam balanço. “Esperamos manter esse ritmo de crescimento, em torno de 22%, para o ano todo.” Enquanto no segundo trimestre de 2009 houve prejuízo de R$ 414 mil, no mesmo período de 2010 a companhia obteve lucro de R$ 9,95 milhões.

As novas praças também têm apresentado um desempenho positivo, com crescimento de 48% nas vendas. No Nordeste, esse percentual chega a 58%. Enquanto isso, no Rio, é de 19%. “Mas é natural que o amadurecimento das novas lojas gerem esse resultado”, afirma o executivo.

A margem lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também vem mostrando avanço. No semestre, ela subiu de 2,5% negativos para 2,8% positivos e encerrou o segundo trimestre deste ano em 8,9%.

Em maio, a empresa iniciou sua operação na internet, com foco em produtos que não estão nas lojas fixas, como eletrodomésticos e telefones celulares. Em menos de quatro meses, o faturamento já é similar a de uma filial média do grupo, em torno de R$ 25 milhões. “Mas ainda estamos começando, estruturando a operação”, afirma.

Presidência volta à família fundadora

Depois da frustrada operação de venda da Leader para a Renner, em 2008, a família que fundou o grupo em 1951 retomou as rédeas da empresa.

Robson Gouvêa, um dos quatro filhos do fundador Newton Gouvêa, voltou à presidência após dois anos dirigindo o conselho. Ele já havia ocupado o cargo de presidente por dois anos quando foi iniciado o processo de profissionalização do quadro de executivos da companhia em 2006 e 2007.

Naquela época, a principal preocupação foi com a terceira geração, os netos de Newton Gouvêa, cujo perfil não era considerado adequado para dirigir a empresa. Naquela época, foi contratada uma consultoria para montar a transição. A primeira decisão foi de que os membros da família só trabalhariam na empresa após passarem pelo processo de
recrutamento, com as mesmas etapas de seleção de qualquer outro empregado.

A família deixou os cargos executivos e Rogério Macedo, que entrou no grupo em 2001, assumiu a presidência em 2005, após dirigir a Leader Card, subsidiária de cartões, passando depois para a vice-presidência executiva. Macedo permaneceu no cargo até a frustrada negociação de venda para a Renner. O negócio não deu certo porque a crise econômica fez a compradora desistir. No início de 2009, Macedo deixou a empresa e Robson Gouvêa, formado
em administração de empresas, retomou a presidência. Hoje, cinco membros da família participam do conselho administrativo. Há outros três conselheiros externos.

O vice-presidente Fernando Labanca entrou na empresa em junho de 2009 para dirigir a Leader Card, depois de passar pelas varejistas Lojas Americanas e Casa & Vídeo. Há dois meses, assumiu a vice-presidência executiva, que é responsável por toda a operação de lojas físicas.

Fonte: Paola de Moura – Valor Econômico – 02.09.2010

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