Macrotransição
SP • 11 3075-3034 - RJ • 21 9.9660.4661
Av. Paulista, 1.765 - 7º andar - São Paulo - SP

Laços de família ainda atam os caminhos da Volkswagen

14/03/2012 16:37
Anterior 1 de 1 Próxima
Enquanto a Volkswagen AG divulgava, esta semana, um lucro recorde e mostrava progressos em sua meta de se tornar a maior fabricante mundial de carros, seu poderoso presidente, Ferdinand Piëch, enviava outra mensagem: a gigante montadora alemã é um negócio de família.

O controle da família sobre a Volkswagen foi ampliado na segunda-feira, quando o conselho supervisor da empresa nomeou a esposa de Piëch, Ursula, para integrar o grupo. Como a família Porsche-Piëch, descendente do lendário projetista do Fusca, Ferdinand Porsche, controla a maioria dos direitos a votos da Volkswagen, a aceitação dela como membro do conselho é praticamente certa.

A medida solidifica a influência e o legado do Piëch, de 74 anos, - que já declarou que seus três grandes amores são "a Volkswagen, a família e o dinheiro"- na montadora que ele transformou num império automobilístico global. Também serviu de lembrete de como a importante indústria alemã de automóveis é complexa, com maquinações de uma dinastia que muitas vezes entra em conflito. Enquanto a Volkswagen obtém bom desempenho, os investidores de fora têm sido tolerantes com relação a essa rede de intrigas.

"A Volkswagen é agora basicamente uma empresa familiar austríaca que, por coincidência, têm ações negociadas na bolsa", disse Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Centro de Pesquisa Automotiva da Universidade de Duisburg-Essen. Embora os investidores tenham lucrado com a visão e projetos de expansão de Piëch, acrescentou, essa "não é exatamente uma empresa administrada para os acionistas."

Embora haja empresas de controle familiar de sobra na Alemanha e outros países, os interesses corporativos do clã Piëch-Porsche estão imiscuídos tanto na Volkswagen quanto na fabricante de carros esportivos Porsche SE. Os esforços contínuos da Volkswagen para completar uma aquisição do controle da Porsche - resultado de uma luta de poder entre Piëch, um estrategista nato, e seu primo de personalidade mais branda Wolfgang Porsche - põem em evidência os complexos e muitas vezes conflitantes interesses do clã.

Ambos são netos de Ferdinand Porsche, que foi convidado por Hitler para desenhar o "carro do povo" original - o Volkswagen - e cimentou as bases para a montadora de carros esportivos de mesmo nome, na década de 1930.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o filho de Fernand, Ferry, criou o primeiro carro esportivo a ostentar a marca Porsche, enquanto sua filha, Louise, mãe de Piëch, assumiu os negócios da família de distribuição da Volkswagen em Salzburgo, hoje a maior rede concessionária da Europa.

Mas a terceira geração de Porsches e Piëchs foi marcada por tantas brigas amargas, que Ferry Porsche proibiu membros da família de participar da montadora de carros esportivos na década de 70. Sem acesso a uma carreira na Porsche, Piëch, um engenheiro obcecado por carros, fez sua fortuna ao ascender ao topo do escalão executivo, primeiro da Audi e depois da Volkswagen, onde ele se tornou presidente em 1993, quase uma década mais tarde.

Embora ansiosos por preservar o legado e a fortuna de família, Piëch e seus parentes têm brigado para decidir quem lideraria. De acordo com um plano elaborado pelo então diretor-presidente da Porsche, Wendelin Wiedeking, foi o presidente do conselho de administração da Porsche, Wolfgang Porsche, quem quase assumiu o timão. A montadora de carros esportivos usou opções de compra de ações para reunir uma participação de 51% na Volkswagen no período que antecedeu a crise financeira de 2008. Mas depois de acumular 10 bilhões de euros (US$ 13 bilhões) em dívida no processo, a Porsche teve de ser resgatada pela Volkswagen, em vez de assumir seu controle.

Como parte do acordo de resgate, a Volkswagen comprou 49,9% das operações automobilísticas da Porsche no fim de 2009. Ela já está integrando essas operações à sua carteira de marcas, que inclui a Audi, a Skoda e a Bentley, e designou executivos da Volks para administrá-las.

Mas o potencial de batalhas legais vinculadas à tentativa frustrada de aquisição pela Porsche levou a uma suspensão dos planos para uma fusão formal entre a Volkswagen e a Porsche. A Volks estuda agora uma medida alternativa que permitiria que ela exercesse a opção de compra do restante dos negócios de carros da Porsche.

Essencialmente, essa medida transformaria a Porsche numa holding com um único ativo, sua participação na Volkswagen. Isso preservaria os interesses da família, e particularmente de Piëch, que, além de seu poder no conselho da Volkswagen, detém 7% da holding Porsche SE e 10% na rede de concessionárias de Salzburgo.

Os acionistas de fora da família, no entanto, perderiam aoportunidade de comprar a Volkswagen através de suas participações na Porsche. A adição de Ursula Piëch ao conselho da Volks assegura ainda mais o poder de seu marido na montadora e dentro do clã Porsche, elevando o número de membros com sobrenome Porsche ou Piëch no conselho da Volkswagen para 5 de um total de 20.

Uma ex-babá da família, Ursula, de 55 anos, mais tarde se casou com Piëch e é mãe de 3 dos 12 filhos dele. No convite para a assembleia anual dos acionistas em abril, a empresa a apresenta como uma "educadora com qualificações adicionais em administração e direito".

Mas Ursula, que é sempre vista ao lado do marido em aparições públicas, é bem versada nas operações da Volkswagen, dizem funcionários da empresa, e supostamente desempenha um papel crucial na arbitragem de disputas entre os membros da família. Em 2010, Piëch a nomeou como líder de duas fundações que gerenciam suas participações na Porsche e na Volkswagen.

Fonte: Valor Econômico - Vanessa Fuhrmans | The Wall Street Journa, 14.03.2012

Nome:
E-mail:
Comentário:
Digite os caracteres abaixo:
Comentário enviado com sucesso!
Aguarde a aprovação!