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Kirin abre nova crise na família Schincariol

03/08/2011 21:40
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A venda de 50,45% do Grupo Schincariol para a japonesa Kirin por R$ 3,95 bilhões dá início a mais um capítulo na conturbada história da família que foi responsável pela criação da segunda maior empresa de bebidas do país. O anúncio da negociação envolvendo a parte dos irmãos Adriano e Alexandre Schincariol, na última segunda-feira, dia 1º, contrariou os sócios minoritários da companhia, os primos Gilberto, Daniela e José Augusto Schincariol, que pretendem brigar na Justiça pelo direito de preferência na aquisição total do grupo.

Um comunicado divulgado ontem diz que “os acionistas que detêm 49,55% das ações do Grupo Schincariol declaram não reconhecer a legitimidade de qualquer negócio envolvendo a transferência das ações para terceiros” sem antes garantir aos sócios o direito de preferência conforme consta no estatuto social da empresa. Ainda de acordo com o documento, “qualquer tentativa de violação a esse direito será levada a exame judicial”.

Segundo um executivo envolvido na negociação, a holding dos irmãos Adriano e Alexandre Schincariol, a Aleadri Schinni Participações e Representações, passou por cima de duas etapas que seriam necessárias para a venda de uma das partes da cervejaria brasileira: a primeira, de oferecer os ativos que pretendiam comercializar e seu preço; e a segunda, no caso de não haver acordo entre os familiares, de informar aos outros sócios quem são os pretendentes a entrar na companhia e os detalhes da negociação.

Após saber do acordo que estava sendo fechado às escuras com a Kirin, os primos enviaram duas notificações aos sócios majoritários reforçando a pretensão de exercer o direito de preferência para a aquisição total do Grupo Schincariol, sendo que o último documento, encaminhado no dia 21 de julho, foi passado também para a companhia japonesa De acordo com esse executivo, “as notificações serão utilizadas em uma possível briga judicial” para brecar o acordo com os japoneses.

Esforço em vão

A briga familiar dentro da Schincariol aumenta ainda mais o desafio da Kirin no Brasil. Além de herdar uma dívida avaliada em mais de R$ 1 bilhão da nova empresa, os japoneses terão de se esforçar para brecar a perda de participação que a Schincariol vem sofrendo nos últimos anos, tendo a sua vice-liderança no mercado sendo ameaçada pelo Grupo Petrópolis, dono da marca Itaipava. “Esse impasse familiar pode durar um dia como um ano e quanto mais demorar pior para as empresas envolvidas. É um esforço que está sendo gasto na administração interna e que poderia ser utilizado no mercado”, avalia Adalberto Viviani, presidente da consultoria Concept e especialista na área de bebidas.

Crescimento x problemas

Fundada na cidade de Itu, interior de São Paulo, em 1939, a Schincariol ganhou notoriedade com o tradicional refrigerante Itubaína. O grande passo da companhia, no entanto, foi dado no final da década de 80, com a entrada no mercado de cervejas quando era comandada pelo empresário José Nelson Schincariol, pai de Adriano e Alexandre. Detentora de um dos maiores parques industriais de bebidas da América Latina, a Schincariol iniciou em 1997 uma estratégia agressiva com a abertura de diversas fábricas pelo país.

Em 2003, a companhia realizou a maior jogada de marketing de sua trajetória com a ação “Experimenta” para lançar a cerveja Nova Schin, até hoje o principal produto da empresa e líder de vendas na região

Nordeste. Nesse mesmo ano, entretanto, José Nelson Schincariol, que liderava a virada de mesa do grupo no mercado cervejeiro, foi assassinado em frente de casa, em Itu, em um crime não desvendado até hoje.

Após esse fato, Adriano Schincariol foi levado a assumir a dianteira da companhia, dando continuidade ao plano de expansão desenhado pelo pai. À frente do grupo, o novo presidente chegou a ser preso, em 2005, por problemas de sonegação fiscal junto com outros oito diretores da companhia. Nos negócios, sua principal iniciativa à frente do grupo foi o lançamento da cerveja Devassa Bem Loura, no ano passado, que não vingou até o momento como marca de alto volume de vendas. Procurado, o grupo Schincariol não retornou à solicitação para comentar a negociação com a japonesa Kirin.

                          

Fonte: Brasil Econômico - Fábio Suzuki, 03.08.2011

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