Macrotransição
SP • 11 3075-3034 - RJ • 21 9.9660.4661
Av. Paulista, 1.765 - 7º andar - São Paulo - SP

JR Diesel desafia imagem dos desmanches de veículos

17/02/2012 15:40
Arthur (esq.) e Geraldo planejam transformar o desmanche da família na primeira franquia de autopeças do Brasil
Anterior 1 de 1 Próxima
O dicionário Aurélio define o desmanche como "oficina clandestina onde automóveis, geralmente roubados ou furtados, são desmontados, para venda de suas peças". Imagem reforçada pelas inúmeras lojas desse tipo localizadas nos centros envelhecidos ou periferias das grandes cidades e onde se veem restos de carros, carcaças e peças amontoadas sem muita organização em um ambiente normalmente sujo. Reverter essa imagem e ainda criar não só a primeira franquia de autopeças do Brasil, mas uma franquia de desmanche, é um forte desafio.

A JR Diesel incluiu essa possibilidade no seu plano de expansão. Com receita de R$ 44 milhões em 2011 e expectativa de crescer 30% este ano, a empresa desmonta 85 caminhões por mês e não embarca na onda do politicamente correto. "Já tentaram me convencer a dizer que tenho uma empresa de reciclagem de caminhões. Mas não é nada disso. Eu tenho um desmanche mesmo", conta Geraldo Rufino, presidente da companhia.

Ex-funcionário do Playcenter, Rufino começou no setor totalmente por acaso. Nos anos 80, quando ainda trabalhava no parque de diversões, investiu suas economias em dois caminhões para transporte de cargas. Os dois veículos se envolveram em acidentes e, praticamente, sobraram apenas peças e as cabines amassadas.

Rufino então criou a JR Diesel, acomodou as peças em um terreno próximo à marginal Tietê, na capital paulista, e começou a vender o que tinha sobrado de sua pequena frota. "Então descobri que ninguém desmanchava caminhões para vender. Fiquei surpreso com a procura", conta.

O empresário deixou o Playcenter e se dedicou ao desmanche. Começou comprando ônibus da CMTC (antiga companhia de transporte público de São Paulo) e frota de caminhões rodados de empresas como Votorantim. Abandonou os ônibus logo no início e apostou tudo nos caminhões.

Quase 16 anos depois, a empresa tem 180 funcionários e já demanchou cerca de 10,5 mil veículos em uma área de 15 mil m2 na divisa entre Osasco e a capital. Está montando um call center e pretende iniciar as vendas pela internet este ano. Depois disso, começaria a desenhar o modelo de franquia.

A JR Diesel compra caminhões com idade média de 10 anos em leilões de empresas de grande porte, de bancos ou seguradoras. Não trabalha com veículos de pessoas físicas e de pequenas e médias empresas. "Tenho de ter garantia sobre a procedência dos veículos. Além da Receita Federal, somos fiscalizados pela polícia. Cada peça que sai da empresa recebe um número e assim conseguimos rastrear de quem compramos e para quem vendemos", conta Arthur Rufino, filho de Geraldo e diretor comercial da companhia.

Todos os caminhões são desmontados nesse local. É como a tradicional linha de montagem das montadoras, mas ao inverso. As partes e peças vão sendo retiradas dos veículos, separadas e levadas para áreas específicas. Cerca de 80% delas são recuperadas, passando por áreas como funilaria, pintura e mecânica. Outra parcela de 10% é vendida como sucata, principalmente partes em alumínio, cobre, aço ou ferro impossíveis de serem recuperadas. Os 10% restantes são lixo recolhido por empresas especilizadas, como os fluidos, gases e pneus.

Grandes transportadoras, frotas e prefeituras formam a maior parte dos clientes. Avesso a sócios, Rufino fala em parcerias. "Podemos ter distribuidores parceiros. Uma espécie de franquia", explica.

Fonte: Valor Econômico - Carlos Prieto, 17.02.2012

Nome:
E-mail:
Comentário:
Digite os caracteres abaixo:
Comentário enviado com sucesso!
Aguarde a aprovação!