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Holding familiar com 31% da L’Oréal tem novo comando

15/12/2010 12:00
Fim da disputa com a herdeira põe genro na direção geral

Após três anos de batalhas judiciais, que nos últimos meses se transformaram também em escândalo político na França, Liliane Bettencourt, principal acionista da L’Oréal, e sua filha, Françoise Bettencourt Meyers, anunciaram um acordo. Esta e o marido, Jean-Pierre Meyers, estão sendo considerados os grandes vencedores da disputa.

Mãe e filha, que moram na mesma rua, em Neuilly-sur-Seine, periferia elegante de Paris, mas não se falavam há anos, desejam viver em serenidade para que a L’Oréal “dê continuidade à sua magnífica epopeia”, segundo um comunicado. Havia pressões da direção do grupo para resolver o conflito e o risco de Lilianne, de 88 anos, morrer antes do caso ser resolvido.

Em troca da retirada do processo por abuso da suposta fragilidade mental de Lilianne (movido contra o fotógrafo François-Marie Banier, que recebeu cerca de € 1 bilhão em doações da principal acionista da L’Oréal) e do fim do pedido para que sua mãe ficasse sob tutela, Françoise conseguiu colocar seu marido na direção-geral da holding Thétys, que administra os 31% das ações da família no capital da L’Oréal, o equivalente a € 14,5 bilhões de euros. Seus dois filhos, Jean-Victor, de 24 anos, e Nicolas, 22 anos, também entraram no conselho de administração da companhia.

Mas se a participação dos netos no grupo nunca representou um problema para Lilianne Bettencourt, que continua na presidência da holding Thétys, o mesmo não pode ser dito em relação ao seu genro, que se manteve discreto durante todo o conflito.

O acordo que o nomeia diretor-geral representa uma reviravolta espetacular na posição da herdeira, que até então acusava sua filha e Jean-Pierre Meyers de alegarem sua suposta fragilidade mental para tirá-la do comando e revender as ações da família para a Nestlé. O grupo suíço de alimentos detém 29,8% do capital da L’Oréal e é o segundo principal acionista do líder mundial de cosméticos.

O genro, neto de um rabino deportado na Segunda Guerra e que se casou com Françoise em 1984, já é membro do conselho de administração da L’Oréal e também da Nestlé e conheceria bem os segredos dos dois grupos.

Nas famosas gravações clandestinas realizadas pelo mordomo de Lilianne em seu domícilio e apresentadas à Justiça por sua filha, a octagenária teria manifestado o receio de que a ascensão de seu genro na holding pudesse servir aos eventuais interesses da Nestlé.

Nos últimos meses, surgiram vários boatos sobre o possível apetite da Nestlé em relação à L’Oréal, reforçados pelo grande destaque que a briga familiar teve na imprensa mundial. Para o jornal “Le Monde”, “o fim do conflito é um magro antídoto aos rumores da compra da L’Oréal” (pela Nestlé).

O diretor-geral da L’Oréal, Jean-Paul Agon, enviou e-mail ao funcionários felicitando o “desfecho feliz”, que “é muito positivo para o grupo, ainda mais porque a família expressou de maneira forte e unida sua ligação com a empresa”. A L’Oréal encerrou o terceiro trimestre com aumento de 14,2% das vendas em relação ao mesmo período de 2009, puxadas pelo crescimento na América Latina, de 19,2%. No acumulado até setembro, a empresa totaliza um faturamento de 14,5 bilhões.

Fonte: Valor Econômico – Daniela Fernandes – 08.12.2010

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