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Grupo Martins enfrenta o desafio da sucessão

06/12/2013 09:39
Alair Martins Jr, filho do fundador do grupo: “Na vida, cada um tem uma verdade, o que torna o consenso difícil”
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A três meses de completar 80 anos, o vigor da obra de Alair Martins, sócio fundador e presidente do Conselho de Administração do grupo atacadista Martins, pode ser conferido na Maratona PME 2013 promovida pelo Valor no dia 18 de novembro. Fundador de um negócio que hoje oferece 160 mil itens que garantem um faturamento anual de R$ 4,3 bilhões, o empresário foi representado no evento por Walter Domingues Faria Jr., diretor-geral do grupo, e o filho Alair Martins Junior, membro do Conselho de Administração. Ambos asseguram que seguem à risca os oito valores que o fundador imprimiu para seu império: inovação, justiça, disciplina, integridade, lealdade, ter amor pelo que se faz, humildade e a noção de que juntos, cada um vale mais.

"O "Jeito de Ser Martins" é o nosso DNA", garante Faria Jr. Os oito valores permeiam todo o grupo de empresas Martins, cuja vocação primeira é o atendimento das necessidades do pequeno varejo.

O ecossistema de serviços ao varejista compreende o Efácil, uma operação de e-commerce; o TriBanco, focado no financiamento ao varejista; o TriBanco Seguros, voltado para os 360 mil clientes atendidos pelo atacado; o cartão TriCard, com soluções tanto para o varejista como para 3 milhões de consumidores finais; a Universidade Martins de Varejo, que atende a 8,7 mil estabelecimentos filiados com programas de gestão de varejo; a Rede Smart, uma franquia de supermercados com 855 lojas afiliadas; e o Instituto Alair Martins, o braço social da organização, que trabalha a educação para o empreendedorismo.


"Alair é um visionário", afirma Faria Jr. Para o diretor-geral do grupo atacadista, no cargo desde 2009, o atual projeto do seu fundador demonstra as suas principais qualidades. "Há cinco anos, aos 75 anos, ele deu início a um processo de profissionalização da gestão para perenizar o grupo", revela.

Alair Martins contratou a consultoria de John A. Davis, professor da Harvard Business School. E criou, desde então, o Conselho de Administração, um "family office", ou seja, uma holding para abrigar a família, além de montar quatro comitês temáticos liderados por profissionais expoentes do mercado, como Amaury Olsen, do grupo Tigre; Horácio Lafer Piva, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do grupo Klabin; e Elcio de Lucca, ex-presidente do Serasa. Apenas um dos comitês, o de integração dos negócios, é liderado por um profissional da casa, Juscelino Martins, um dos seus filhos e ex-diretor-geral do Martins e do TriBanco.

O projeto de perenização também enfatiza a de multiplicação dos valores da instituição de forma que os seus 4,6 mil colaboradores conheçam e os coloquem em prática. "Temos 80 líderes que têm a missão de levar à base o que ele defende desde a criação do Martins, há 60 anos", afirma Faria Jr.

O diretor-geral do grupo resume a principal característica que Alair imprimiu à companhia: "Esta é uma empresa feita de pessoas. Temos foco no relacionamento." Um indicador desse relacionamento são as 540 operadoras de televendas que ligam proativamente para 30 mil clientes todos os dias para pegar seus pedidos em todo o Brasil.

Alair Martins Jr. admite que o atual desafio para a família é separar seus interesses dos da empresa. "Na vida, cada um tem uma verdade, o que torna o consenso difícil", diz. Para o jovem acionista, no entanto, os familiares precisam entender que o negócio é soberano e que deve estar acima dos interesses individuais dos membros da família. "É fundamental separar bem as coisas e ter muito profissionalismo. Do contrário, potenciais conflitos crescem na mesma proporção do crescimento do grupo", acrescenta o filho do fundador, frisando serem esses os ensinamentos de seu pai.

De origem pobre - só vestiu seu primeiro calçado aos sete anos -, o fundador Alair Martins sempre cuidou da imagem do grupo. "Empresa tem que ter credibilidade", afirmou Alair Jr. "Outro segredo do sucesso de Alair é saber as pessoas certas", acrescenta o herdeiro.

Cinco anos depois de ter iniciado o processo de sucessão, a gestão do grupo Martins é hoje descentralizada. "Usamos o conceito de subsidiária", informa Faria Jr. "Nossa maior unidade fica na Bahia, onde temos 700 pessoas. Lá a gestão atua com as diretrizes da matriz e trabalha com orçamento, que possui um planejamento até o ano 2020", exemplifica o diretor-geral. E, para enfrentar a concorrência do atacadista regional, que tem raízes locais e conhece muito bem o seu cliente, a receita Martins é abusar da tecnologia. "Temos escala e realizamos grandes investimentos em tecnologia de informação. E procuramos pensar global e atuar regionalmente", afirma o diretor-geral.


Fonte: Valor Econômico - Ana Cecília Americano - 29.11.2013
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