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Fechamento de capital opõe UOL e fundos

28/10/2011 17:15
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O duelo começou em agosto, quando a Folhapar ofereceu R$ 17 por ação na bolsa

Se nas empresas sem ações na bolsa os principais conflitos societários em caso de proposta de fusão têm origem na pouca transparência na comunicação, para as de capital aberto o fator de maior risco de conflito entre sócios muda. Tem nome e sobrenome: laudo de avaliação. É ele quem determinará o valor do prêmio a ser pago para os minoritários em caso de troca de controle. A lógica também vale para quando uma empresa fecha seu capital e tem de recomprar os papéis em dispersão na bolsa para alcançar o objetivo.

Foi o que aconteceu recentemente com o UOL. Na bolsa desde 2005, a empresa enfrentou uma batalha com dezenas de fundos — tendo um do banco Fator à frente — para deixar a BM&F Bovespa.

A queda de braço começou em agosto, quando a Folhapar, que controla a empresa, ofereceu R$ 17 por ação para comprar os papeis dos fundos. Até ampliar a oferta para R$ 19, quase dois meses depois, a companhia enfrentou diversos embates com os minoritários.

O primeiro envolveu justamente a escolha da instituição financeira que prepararia o laudo para avaliar o valor das ações. Os controladores optaram pelo Bradesco. Os minoritários preferiam o Rotschild, mas foram derrotados na escolha.

Na assembleia que tomou essa decisão um detalhe em particular desagradou os fundos: a atuação de João Alves de Queiroz Filho. Dono da Hypermarcas, Júnior, como é conhecido, comprou no ano passado participação que a Portugal Telecom tinha no UOL. “Ele foi uma espécie de majoritário entre os minoritários na assembleia. Ajudou o controlador a impor suas vontades contra os fundos”, critica o gestor de um deles, que esteve nas diversas reuniões.

Inconformados com a escolha do Bradesco, os minoritários resolveram avançar. Lançaram mão da Lei das Sociedades Anônimas e pediram a realização de uma assembleia apenas de minoritários. A intenção era impedir que Júnior votasse. Os fundos alegaram conflito de interesses do empresário. “Mesmo assim ele participou da assembleia e manteve a escolha”, diz o gestor, que acredita que o caso pode ajudar o mercado a definir melhor um conceito ainda vago: o de acionista vinculado à administração.

No fim das contas, porém, o UOL conseguiu o que queria: os minoritários aderiram à oferta. “Em um momento de queda de bolsa, a operação serviu para colocar dinheiro no bolso de alguns investidores que tiveram perdas pesadas com outros papéis”, afirma o gestor. L.F.

Fonte: Brasil Econômico, 27.10.2011

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