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Família Hermès monta operação para garantir controle da grife

16/12/2011 14:39
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A família Hermès prometeu nesta semana manter a independência da Hermès Internacional, depois de anunciar a criação de uma holding familiar de € 12 bilhões com uma participação de 50,2% na companhia francesa de artigos de luxo.

A empresa familiar, famosa por seus lenços de seda e bolsas feitas à mão, disse que a nova estrutura foi implementada depois que ela foi "atacada" no ano passado pela Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), o grupo de artigos de luxo comandado pelo bilionário Bernard Arnault.

A LVMH anunciou da noite para o dia em outubro de 2010 que adquiriu participação de 17% na Hermès, desencadeando uma reação da companhia, que é uma concorrente menor em termos de vendas. A Hermès reiterou nesta semana que a criação da holding demonstra a união da família no esforço de "preservação de seus valores e cultura".

A família Hermès, que controla 73% do capital, vem tentando encontrar maneiras de conter o avanço de Arnault, que aumentou sua participação para 21,4%. Arnault vem afirmando que não pretende assumir o controle da Hermès, e gostaria de ser um fiador da cultura da marca Hermès.

As especulações de que a LVMH poderá fazer uma proposta de compra pelo controle integral da Hermès fizeram da ação da companhia um dos papéis de melhor desempenho no ano na Bolsa de Paris. Ela acumula valorização de 40% desde o começo de janeiro.

A Hermès, no entanto, é protegida de compras hostis no mercado por sua estrutura de sociedade limitada, que dá o controle administrativo à família. A holding familiar, conhecida informalmente como H51, também garante à família o controle do capital da empresa, uma vez que os membros terão o direito preferencial de recusa à venda de ações.

A holding vem tendo um problema na justiça com Colette Neuville, presidente do grupo lobista Adam, formado por acionistas minoritários, que alega que a medida vai reduzir a já pouca liquidez das ações.

A Corte de Apelações de Paris sustentou uma dispensa concedida este ano pela autoridade reguladora dos mercados financeiros da França, que significa que a família Hermès não precisaria comprar as participações de outros acionistas. Neuville levou a decisão à suprema corte da França, a Cour de Cassation.

Todos os membros da família - cerca de 72 pessoas - colocaram suas ações na holding, com a exceção de seu maior acionista individual, Nicolas Puech, irmão de Bertrand Puech, presidente do conselho de administração da Emile Hermès, a sociedade limitada que controla a Hermès International. Nicolas Puech, que controla 6% da companhia e nunca vendeu suas ações, estaria interessado em colocá-las em uma fundação.

A holding vai manter um terço dos dividendos anuais, pagando dois terços aos membros da família. Ela vai usar a retenção de dividendos para comprar ações daqueles que quiserem vender. Ela também poderá tomar dinheiro emprestado. Após 20 anos, os acionistas da família poderão pedir que um terço de suas ações seja pago a eles pela holding.

Fonte: Brasil Econômico, Scheherazade Daneshkhu | Financial Times, 16.12.2011

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