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Experiência familiar no varejo

06/05/2013 12:51
Adriano Obeid, sócio-diretor do Grupo Authentic Feet, formado pelas marcas Authentic Feet, Artwalk, Magic Feet e Tennis Express.
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Administrar uma empresa familiar não é fácil. Operá-la nessa modalidade por quatro gerações, então, um desafio contínuo. Os irmãos, sobrinhos e primos tornaram-se parceiros na vida e nos negócios, fazendo com que todos aprendam, cotidianamente, a lidar com situações de conflitos diárias e que nos ensinam a sermos bons mediadores.

Em meu primeiro emprego, na loja Princesa das Meias, que pertence ao meu pai há mais de 60 anos, passei por todas as funções, desde a faxina até o cuidado com o caixa. Esta experiência fez de mim o empresário versátil que preciso ser hoje, mas a convivência com familiares no ambiente profissional requer muita disciplina e mais do que isso: requer que se dê bom exemplo.

Meu sócio e sobrinho, no Grupo Afeet, Salomão Salum, também teve que passar  por todas as etapas do processo até chegar onde está, mostrando que era capaz e que poderia ganhar o merecido respeito e responsabilidade. Nem sempre acontece desta forma, muito parentes confundem o espaço profissional com o espaço familiar e vice-versa, querendo tratar de assuntos pessoais na hora do expediente e de assuntos profissionais no almoço de domingo. Há que se ter uma divisão clara, para que nenhuma das funções exercidas por estas pessoas saiam em desvantagem, estejam eles no papel de pais ou gerentes.

Outro erro bastante comum é a acomodação, em relação à função que exercem, aos horários e até mesmo no trato na hora de trocar emails e telefonemas. Quando a empresa tem uma base familiar, os funcionários que não fazem parte dessa árvore genealógica costumam prestar mais atenção aos seus colegas que desfrutam de laços sanguíneos, uma vez que eles não querem sair em desvantagem e merecem tratamento de igual para igual, senão é a partir daí que estouram as crises corporativas, aumentam os boatos e o rendimento da empresa, consequentemente, cai.

Mas nem tudo são flores para o funcionário que é parente dos donos de uma empresa, já que ele precisa ser mais do que alguém de destaque. Seus esforços são dobrados, pois além de ter uma cobrança maior, precisa inspirar os demais, demonstrando competências por suas próprias habilidades e não só pelo sangue que corre nas veias.

No caso do varejo calçadista e também em inúmeros outros segmentos, ainda há outro porém, é preciso que as pessoas se identifiquem com os produtos vendidos. Não é aconselhável forçar parentes que não gostam de tênis a trabalhar em lojas de calçados apenas para que o negócio da família se perpetue. Muitas vezes, estes conflitos nem mesmo chegam a ser expressos em palavras, mas o varejista e o empresário experientes sabem reconhecer a situação. Neste caso, melhor preservar a família, evitando desgastes desnecessários e, claro, manter em bom ritmo os negócios, que não terão parentes frustrados e funcionários desmotivados e insatisfeitos.

A qualificação profissional também deve ser vista como prioridade. Parentes devem ser especializados nas áreas que atuam, assim como os demais funcionários. A qualificação de mão de obra vale para todos os casos e é algo que não pode ser ignorado. Como é sabido, muitas vezes, enfrentamos no varejo a dificuldade de encontrar, treinar e reter mão de obra qualificada. Talvez por isso, relações profissionais duradouras ganhem status familiar, substituindo a relação sanguínea pelo esforço representado pelo suor.

O clima organizacional em casos de relações de parentesco, é válido ressaltar, não é algo que precisa ser antipático e carrancudo. Deve ser de descontração, mas, sobretudo, de confiança, e isso fortalece a empresa e garante apoio nos momentos difíceis que venha a passar. As experiências negativas nos fazem aprender e experiências positivas devem ser contadas aos demais, assim como um negócio que passa de pai para filho, as histórias exemplares também tem o poder de se multiplicar, como se estivessem gerando herdeiros.

Fonte: DM.com.br, Adriano Obeid (sócio-diretor do Grupo Authentic Feet, formado pelas marcas Authentic Feet, Artwalk, Magic Feet e Tennis Express. Há 17 anos, uniu sua formação em Medicina à paixão pelo varejo, não deixando de lado os temas que nortearem sua vida: saúde e esporte) - 09.04.2013

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