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Elas comandam os negócios da família

18/10/2010 12:00
Sissi Freeman, empresária.
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Líderes e com ideias inovadoras, mulheres de gerações diferentes contam suas experiências à frente de empresas familiares

Sissi Freeman. Empresária comanda a Botica Granado, que era frequentada por D. Pedro II

Chega uma hora nas empresas familiares em que o fundador precisa passar o bastão. Mas para quem? O caminho mais sensato, é optar por aquele herdeiro com vocação para o negócio, que demonstre ter, de forma visível, uma afinidade com as atividades da empresa. “O fundador constrói para os filhos, mas se esquece de perguntar a eles se querem tocar o negócio”.

As mulheres vêm conseguindo cada vez mais espaço nas empresas familiares, assumindo posições estratégicas para o futuro do negócio. As filhas têm maior afinidade com o pai, por quem nutrem uma admiração especial. “Quando elas entram na empresa, não é para competir, mas para dar continuidade. A seguir, exemplos de herdeiras empreendedoras bem sucedidas, que atuam em diferentes segmentos do mercado e que agregaram inovação aos negócios da família.

Reinações de Sissi
Fundada em 1870, no Rio de Janeiro, a Botica Granado era frequentada por D. Pedro II. De lá para cá, muita coisa mudou na história da marca centenária e certamente a imperatriz Leopoldina aprovaria a moderninha linha pink de cuidados para unhas, pés e pernas da marca. Por trás das novidades está Sissi Freeman, 30 anos, que responde pelo marketing. Depois de três gerações na família Granado, a farmácia foi comprada por seu pai, Christopher Freeman, que hoje preside a empresa e a Phebo, adquirida em 2004.

Juntas, as marcas somam 350 itens. “Tinha 14 anos quando ele comprou a Granado e, como toda menina, adorava cosméticos.” Formada em Economia e Relações Exteriores, antes de entrar para a empresa, Sissi teve outras experiências profissionais, regra imposta pelo pai. Quando assumiu a área de marketing da Granado, aos 25 anos, um dos maiores desafios, revela, foi dar contemporaneidade aos produtos sem perder a essência da marca. “Há uma identidade muito forte entre o produto e o consumidor, caso do polvilho antisséptico.” Também partiram dela as parcerias com a estilista Isabella Capeto (que assina a linha de perfumes Águas de Phebo) e com a marca de presentes We, em uma linha de bem-estar.

Doces negócios
O empresário Celso Ricardo de Moraes, 68 anos, presidente do Grupo CRM, detentor das marcas Kopenhagen, Brasil Cacau e DanTop, deu duro nos negócios e hoje pode se dar ao luxo de dedilhar canções de bossa nova no seu piano de cristal e apresentar um programa de TV, onde recebe seus ídolos da MPB. O ex-proprietário do Laboratório Virtus, que produzia o popular Maracugina, nunca precisou tomar calmante, pensando na sucessão familiar. Tinha sua filha, reconhecida no mercado como uma líder nata.

Renata Figueiredo de Moraes Vichi, de 28 anos, vice-presidente, é quem carrega o piano, orquestrando 1.200 funcionários. “Meu pai sempre foi uma grande referência em minha vida. Mas ele nunca impôs o caminho para a sucessão. A iniciativa partiu de mim.”

Formada em Publicidade e Propaganda e com MBA pela Fundação Getúlio Vargas, Renata operou um verdadeiro lifting na tradicional marca de chocolates, porém, preservando a qualidade, o sabor e o glamour das finas guloseimas. “Passados mais de 80 anos desde a fundação da Kopenhagen, o bombom Cherry Brandy continua sendo feito um a um, e com o laço vermelho dobrado de forma que o nome da marca fique visível.” Mas a tradição para por aí. “Quando entrei na empresa, o marketing era amador. Tivemos, então, de remodelar os pontos de venda, investir em campanhas publicitárias e novas embalagens.”

Vestindo a camisa
Um grande amor e uma máquina de costura. Foi assim que começou a história da Dudalina, uma das maiores camisarias da América Latina. O casal Duda e Adelina (daí o nome da confecção) eram donos de um armazém de secos e molhados na cidade de Luis Alves, interior de Santa Catarina. Tiveram 16 filhos, 5 mulheres e 11 homens. A filha número 6, Sonia Hess, é quem preside a empresa com 1.350 funcionários (1.000 são mulheres) e as 4 fábricas. A camisaria, conta, começou meio por acaso. “Numa ocasião, meu pai comprou um lote grande de tecidos de um comerciante árabe da 25 de Março, que acabou sobrando na loja. Minha mãe viu ali uma oportunidade de vendas e transformou tudo em camisas. As peças eram cortadas por ela e confeccionadas por costureiras nos quartos de casa. Como vendeu tudo logo, alugou um espaço maior e saía para vender. Nascia ali uma empreendedora anos luz de sua geração, com o apoio total do meu pai.”

Se a disputa pelo poder entre 2 herdeiros já é complicada, imagine entre 16! Mas, por sua experiência, espírito de liderança e afinidade com os negócios, Sonia foi eleita por unanimidade presidente da Dudalina. “Tive de abraçar a empresa inteira e ir fundo no conhecimento das áreas de finanças, recursos humanos, marketing.” Arrojada tal qual dona Adelina, ela lançou este ano a linha de camisaria feminina e promete mais novidades.

Carga Pesada
Quando vai se aproximando o Grande Prêmio de Fórmula 1, em Interlagos, o coração de Maria Regina Yazbek, à frente da Movicarga, empresa que vende e loca empilhadeiras, bate no compasso das máquinas.

Há 18 anos, a empresa é responsável pela logística do evento. Nesse dia, funcionárias treinadas deixam seus postos na fábrica para operarem as máquinas. É aí que a empresária de 46 anos tem a oportunidade de voltar no tempo, quando participava das operações, acompanhando pessoalmente a entrega das máquinas aos clientes. Na época tinha 23 anos e a Movicarga estava no mercado há 14.

O pai, Alberto Yazbek, queria passar o bastão e, dos três filhos, ela era quem apresentava mais afinidade e gosto pelo negócio. Mas antes trabalhou em uma empresa de seguros, onde batia cartão e penava com o austero chefe alemão. “Quando assumi, queria mostrar ao meu pai que tinha capacidade para administrar os negócios.”

Quando anunciou ao pai o suado contrato que conquistou com a Fórmula 1, ganhou um sermão. “Ele disse que eu era louca, pois, se houvesse qualquer erro, o estrago seria conhecido no mundo.” Não por acaso, o patriarca dizia que ela era uma mistura de Poliana com Telê Santana, “do tipo que acredita que tudo vai dar certo e atira para todos os lados.”

Hoje, a Movicarga, que começou com quatro funcionários, conta com 1.700.

Fonte: Estadão.com.br – 17.10.10

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