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Dívida da Busscar salta 40% após revisão

24/02/2012 18:30
Votação do plano de recuperação judicial da Busscar será em abril
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O administrador judicial da Busscar, Rainoldo Uessler apresentou na quarta-feira (22/2) a revisão das dívidas e do quadro de credores do Grupo Busscar. Esta é a segunda versão para o montante que a companhia deve aos seus credores e só poderá ser alterada pelo próprio juiz responsável pelo caso, Maurício Cavallazzi Povoas, da 5ª Vara Cível de Joinville. O valor total é quase 40% superior à versão inicial, em que constavam os valores reconhecidos pela Busscar, chegando agora a quase R$ 868 milhões (veja a lista completa no link abaixo).

A partir da publicação do documento no Diário Oficial da Justiça, que deve ocorrer nos próximos dias, os credores que ainda discordam dos valores revistos pelo administrador judicial terão 15 dias para reclamar e apresentar documentos que comprovem os valores. Esta será a última chance para incluir novas dívidas na relação. Depois desse prazo, o juiz deve formalizar a última e definitiva revisão do quadro de credores, sendo impossíveis contestações posteriores.

A dívida trabalhista foi a que menos sofreu alterações. O Sindicato dos Mecânicos reclamou muito dos valores apresentados na primeira versão da relação de dívidas e chegou a impugnar o plano de recuperação da empresa, que agora vai à votação em assembleia de credores. A variação na revisão, no entanto, foi de apenas 3%, passando dos R$ 112,6 milhões para R$ 116 milhões.

A Busscar deve esse montante para 5.509 funcionários e ex-funcionários. Todos eles terão direito a voto na assembleia de credores para decidir se aprovam ou não a proposta de recuperação, que prevê descontos, que vão de 7% a 37% sobre as dívidas, com carências de seis meses e prazos de até 36 meses para pagamento. A votação do plano está prevista para ocorrer em abril.

A maior parte das dívidas da Busscar continua sendo com bancos (são pelo menos 17 instituições, com valores em torno de R$ 400 milhões), mas a classificação de algumas mudou. Antes incluídas na lista de pendências com garantia real, agora são quirografárias, ou seja, estão em último na preferência de pagamento. Restaram somente seis credores com garantia real (aqueles que possuem bens do grupo como garantia). Dessa forma, primeiro serão pagos os funcionários, depois os credores com dívidas de garantia real e, por último, os quirografários.

Dívida com ex-sócios é 1.694% maior

Uma parte das dívidas do Grupo Busscar chama a atenção porque os valores ficaram muito acima do valor inicial. O crédito dos ex-sócios da Busscar, Valdir Nielson, Harold Nielson e Ilonie Nielson, representados pelas empresas RR Empreendimento de Participações e pela Prata Participações e Empreendimentos, saltou 1694%, dos R$ 17 milhões reconhecidos pelo grupo, para R$ 305 milhões, reconhecidos pelo administrador Rainoldo Uessler.

A Busscar ainda questiona esses valores na Justiça e por isso não os reconhece. Segundo Uessler, “essa revisão teve como base as decisões judiciais em curso e os documentos apresentados pelos ex-sócios”. Se esses valores não fossem alterados, a dívida da Busscar seria até menor, ficando em torno de R$ 581 milhões, 6,7% a menos que os créditos apresentados pelo grupo no primeiro balanço.

As dívidas com garantia real e quirografárias também mudaram bastante, porque o administrador judicial considerou “a contabilidade e o controle financeiro da companhia, além de critérios técnicos para a nova classificação”.

Fonte: ND Joinville - Cláudio Fernandes, 24.02.2012

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