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Disputa pode fazer Lacoste mudar de dono

08/11/2012 12:23
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O jacaré mostrou os dentes e deu o bote. A Lacoste, um dos símbolos do prêt-à-porter de luxo francês e uma das marcas de moda mais conhecidas internacionalmente, está prestes a se tornar suíça. O motivo é uma briga familiar que tem como pivôs Michel Lacoste, filho do fundador da Lacoste e presidente da empresa até o mês passado, e sua filha, Sophie Lacoste-Dournel, de 36 anos. Esta conseguiu assumir o comando da companhia e a presidência do conselho de administração graças ao apoio de primos de sua geração.

A Lacoste e seus 22 membros da mesma família é hoje uma empresa divida em dois clãs. De um lado, a nova presidente e seus aliados, que detêm 34,7% do capital. Do outro, Michel Lacoste, seu irmão François, duas sobrinhas e seus filhos, com 30,3%. Era justamente uma dessas sobrinhas, Béryl, 56 anos, que Michel Lacoste, 68 anos, apoiava para substituí-lo na presidência do grupo.

Após ter sido "destituído" pela filha na reunião do conselho de administração realizada no fim de setembro, Michel - filho do premiado tenista René Lacoste, inventor da famosa camisa pólo - deu na sexta-feira passada uma tacada violenta: propôs vender os 30,3% do capital de seu "clã" para a Devanlay, licenciada mundial da grife para a produção e distribuição de roupas, e que já detém 35% do capital da Lacoste.

Dessa forma, a licenciada Devanlay, com 90% do capital detido pelo discreto grupo familiar suíço Maus Frères, criado em 1902 e proprietário das marcas de roupas Aigle e Gant (sueca), além de farmácias, com faturamento de € 4,4 bilhões, passaria a ser o acionista majoritário da grife do jacaré. A Lacoste, por sua vez, detém os 10% restantes da Devanlay.

"Os descendentes do fundador dessa empresa, criada em 1933, não conseguem mais viver juntos nem organizar a governança do grupo em um cenário racional. Hoje, a família está dividida em duas e ninguém consegue guiar a empresa", disse Michel Lacoste ao "Journal du Dimanche". "O conflito tomou conta de tudo. O choque era inevitável", afirmou.

Para o ex-presidente, sua filha, atriz em uma novela de TV francesa e diretora de um teatro de marionetes em Marselha, seria "incompetente" para comandar a Lacoste, segundo informações da imprensa francesa. A jovem rebate mostrando seu diploma de administração da prestigiosa faculdade Paris-Dauphine.

Michel Lacoste diz que a venda ao grupo suíço tem o objetivo de "não colocar em perigo o futuro da Lacoste, que emprega, com seus licenciados, entre 20 mil e 30 mil pessoas no mundo" e também representa a melhor maneira de apoiar o desenvolvimento da marca, que completará 80 anos em 2013. Para ele, é a única solução.

"Nossas brigas perturbavam o trabalho das equipes. Seria irresponsável de nossa parte (não tomar a decisão de vender)", diz ele, negando que a ideia de ceder a participação acionária de seu clã ao grupo suíço seja uma reação à nomeação de sua filha para a presidência do conselho de administração. Mesmo assim, ele entrou com uma ação no Tribunal de Comércio de Paris para anular a decisão dessa reunião do conselho. O paradoxo é que há algumas semanas o próprio Michel afirmava que o perigo de sua filha assumir a presidência seria justamente os irmãos Maus tomarem o controle da Lacoste.

Michel diz que a Devanlay, acionista da Lacoste desde 1998, contribuiu para o sucesso da grife do jacaré nos últimos anos. "Neste ano, vamos registrar novamente um aumento das vendas, que devem atingir € 1,8 bilhão", diz ele. No ano passado, o faturamento foi de € 1,6 bilhão. Hoje a marca totaliza cerca de 1,1 mil lojas em mais de uma centena de países.

Segundo Michel Lacoste, os títulos de seu clã devem ser vendidos "na faixa superior" dos € 300 milhões a € 400 milhões evocados pela imprensa francesa.

Na prática, a nova presidente e seus aliados têm o prazo até 26 de novembro para reunir essa quantia. Um pacto de acionistas da família Lacoste determina que se um dos herdeiros decidir vender sua fatia, a prioridade deve ser dada a um membro da família.

"Essa prioridade dada aos familiares é teórica. Acreditamos que outros membros da família vão vender suas ações aos irmãos Maus", minimizou Michel ao "Journal du Dimanche". Quanto à possibilidade de um outro grupo, como o PPR (Gucci, Yves Saint-Laurent) tentar aproveitar o clima de disputa familiar para assumir o controle, o filho do fundador responde que "eles estão livres para fazer isso, mas correrão o risco de pagar muito caro".

O clã de Sophie promete reagir e impedir que o Maus Frères adquira o controle da Lacoste. O grupo suíço já tentou comprar a grife há alguns anos, quando Michel brigou com outro filho, Philippe.

Fonte: Jornal Valor Econômico, Daniela Fernandes, 30.10.2012
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