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Conselhos demitem menos CEOs no Brasil

13/05/2010 12:00
Os conselhos de administração das principais empresas no Brasil estão tolerantes em relação ao desempenho dos CEOs, mesmo diante da crise.

Os conselhos de administração das principais empresas no Brasil estão tolerantes em relação ao desempenho dos CEOs, mesmo diante da crise. Embora a rotatividade no alto escalão tenha crescido mais no país no ano passado do que a média global, 70% das substituições foram resultantes de processos de sucessão planejada. A maioria não deixou o emprego por questões ligadas à performance, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, onde a demissão foi responsável por 35% dos desligamentos no período.

Os dados citados fazem parte de um amplo estudo realizado durante 2008 e finalizado agora pela consultoria Booz & Company sobre a sucessão de CEOs, que está em sua nona edição. Foram ouvidas 2,5 mil das maiores companhias de capital aberto no mundo. No Brasil, o mesmo levantamento foi aplicado às 130 maiores empresas com ações na bolsa e receita líquida acima de R$ 500 milhões.

O fato do Brasil ter um turnover alto no comando, comparado-se às demais regiões, é resultado de uma defasagem do país em relação à incorporação dos processos de governança corporativa. “Estamos começando agora a ter uma pressão maior sobre o executivo por parte dos conselhos”, diz Paolo Pigorini, vice-presidente para o Cone Sul da prática de organização e liderança da Booz & Company.

Alguns setores, como o de energia elétrica, por exemplo, contribuiram para elevar a taxa de rotatividade no país. Ele representou 32% das movimentações registradas no período. “Houve muita troca de presidentes, principalmente nas distribuidoras”, explica Pigorini. Metalurgia e siderurgia representaram 23% das trocas de CEOs. “O segmento vive um momento de redefinição”, ressalta.

Os conselhos de administração no Brasil privilegiaram no ano passado os executivos mais experientes na hora de realizar as substituições. Dos novos dirigentes, 65% exerceram antes cargos com responsabilidade sobre resultados até chegarem ao posto número um da organização. Muitos atuaram como presidentes, vice-presidentes de áreas de negócios, diretores de operações entre outras funções de comando. “Um em cada dois executivos que assumiram ao cargo de CEO já havia exercido a mesma função antes”, diz o consultor. Na média global, um em cada cinco já tinha ocupado o cargo.

O fato de o profissional conhecer bem a área de atuação da empresa também contou pontos na escolha dos conselheiros. Quase a totalidade dos nomeados ao posto principal atuavam no setor da empresa que passaram a comandar.

Outro dado que chama atenção, segundo Pigorini, é que 85% dos brasileiros que se tornaram CEOs eram pós-graduados. Também aumentou a idade média (de 48 para 51 anos) dos profissionais que assumiram o comando das grandes empresas no país. Ao menos 25% eram mais velhos que seus antecessores. Essa experiência também foi requerida em outras regiões. A média etária global dos novos CEOs subiu de 51 para 52,9 anos de idade, depois de se manter a mesma nos últimos dez anos.

Uma tendência global observada no estudo é de os conselhos fazerem uma espécie de “test drive” com os líderes em potencial da companhia, o que inclui os Chief Operating Officers (COO) ou os Chief Financial Officers (CFO), antes de entregar a eles o comando da companhia. “Muitos foram contratados três anos antes da promoção”, explica Pigorini. O estudo aponta que 57% dos novos CEOs, nos Estados Unidos, por exemplo, ingressaram como aprendizes nas companhias. “Essa era uma prática comum no Japão, mas nunca aconteceu nas companhias americanas”, diz. Esse modelo híbrido de profissional que vem de fora, mas passa um tempo se aculturando dentro da empresa, segundo o consultor, tem se mostrado bastante eficaz. “É uma experiência que acaba sendo boa para os dois lados”, diz.

Muito embora, os conselhos de administração das empresas dos Estados Unidos e da Europa tendam a demitir CEOs com resultados ruins, a rotatividade no cargo, em geral, diminuiu em 2008 . “Eles estão preferindo manter os líderes que eles já conhecem por conta do ambiente de instabilidade na economia”, diz Pigorini.

O estudo mostra ainda que, pela primeira vez desde 1995, o número de CEOs que acumulavam a presidência da empresa com a do conselho diminuiu nos Estados Unidos. “Hoje apenas 22% dos novos comandantes ocupam os dois postos”, afirma. No Brasil, segundo ele 66% dos novos CEOs assumiram também como membros do conselho. “Mas apenas uma pequena parcela ocupa a presidência do conselho”, diz. O que, na sua opinião, é mais um dado que demonstra avanços na governança das empresas do país.

Fonte: Stela Campos – Valor Econômico 13.05.2010

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