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Como gastar seu patrimônio, se é que realmente vale a pena

18/06/2010 12:00
"Para gastar o principal, só fazendo as contas a partir de uma expectativa de vida muito otimista", afirma Gustavo Cerbasi. Foto de Julio Vilela.
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Consultores de finanças pessoais são experts em recomendar às pessoas poupar, poupar, poupar. Quando seria a hora de começar a gastar, gastar, gastar e usufruir do patrimônio acumulado por toda a vida?

“Não dá para brincar com a sorte. Para gastar o principal, só fazendo as contas a partir de uma expectativa de vida muito otimista”, afirma Gustavo Cerbasi, consultor financeiro.

Se, no longo prazo, todos estaremos mortos, de que vale apenas poupar, sem se dar a chance de gastar o próprio patrimônio? Confira as dicas dos consultores de como investir seu dinheiro.

É justo acreditar, afinal, que ninguém economiza durante a vida toda com vistas a ser o mais rico do cemitério, lembra o planejador financeiro Andre Massaro, da consultoria MoneyFit. “Coisa de faraó”, brinca. Dinheiro, ao fim e ao cabo, serve mesmo para ser gasto, não é mesmo?

Mais ou menos. Os recursos economizados para a aposentadoria são vistos pelos consultores financeiros como o conteúdo de um relicário que merece todo o cuidado possível. Desfazer-se deles é quase um sacrilégio.

“Não recomendo o gasto desenfreado. O patrimônio deve ser usado para gerar renda passiva, e não para entrar nos planos dos gastos futuros”, sugere Massaro.

E não se trata de sovinice. ”Não dá para brincar com a sorte”, diz o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor de Casais inteligentes enriquecem juntos”.

Mesmo os mais organizados, que tenham planejado o consumo do patrimônio, estão sujeitos ao risco da longevidade, ou de viver mais do que o esperado.

Cálculos do professor Shlomo Benartzi, da Universidade da Califórnia, indicam que de cada dez pessoas que se aposentam aos 65 anos, é provável que a primeira faleça aos 69. Mas a última não deve morrer antes dos 99 anos.

“Não se mexe no principal economizado a menos que o sujeito faça as contas partindo de uma expectativa de vida muito otimista, para garantir segurança”, aconselha Cerbasi.

Hoje, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro ao nascer é de quase 73 anos. Não é o suficiente para as contas da aposentadoria.

“Quem cogitar morrer aos 85 anos possivelmente terá problemas. Para gastar o principal com segurança, é necessário considerar, nas contas, que viverá até, pelo menos, 120 anos.”

Vale a pena?

Mesmo considerando vida longa nas contas, Massaro sugere uma avaliação fria da possibilidade de torrar o principal na aposentadoria.

A renda mensal adicionada ao considerar gastar o patrimônio durante a aposentadoria – no lugar de viver apenas dos rendimentos obtidos com o principal investido – não é tão grande ao ponto de valer o risco de ficar sem um tostão ao fim da vida, defende o especialista.

Em números: alguém que tenha conseguido poupar R$ 1 milhão até os 60 anos, quando decide se aposentar, e que consiga remunerar este capital a uma taxa líquida de 5% ao ano (ou de 0,4074% ao mês), consegue pagar-se um “salário” mensal de R$ 4.074,12 contando apenas com os rendimentos, sem mexer no principal.

Se, mensalmente, consumir o equivalente à rentabilidade e mais uma pequena parte do patrimônio, tendo calculado viver até os 100 anos, a renda sobe para R$ 4.748,65. A diferença não chega a R$ 700.

“Neste caso, é melhor aplicar o dinheiro e não mexer no principal”, calcula Massaro.

Cerbasi concorda e sugere, inclusive, atenção para lembrar de recompor o patrimônio de acordo com o avançar da inflação.

“Não é preciso pensar em fazer o patrimônio crescer, mas não dá para escapar de repô-lo”, diz. E, para tal, nada melhor que diversificar as fontes de rentabilidade.

O consultor sugere destinar o patrimônio a pelo menos três grandes grupos de investimentos.

“Um terço pode ir para uma carteira de títulos públicos, que incluam papéis corrigidos pela inflação, outro terço para ativos imobiliários, sejam imóveis físicos ou fundos, e o restante pode ser aplicado em uma carteira de ações boas pagadoras de dividendos”, pondera.



Fonte: Mariana Segala – Brasil Econômico 18.06.2010

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