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Casino, controlador do Pão de Açúcar, pede a renúncia de Abilio Diniz

20/02/2013 17:02
O executivo Abilio Diniz, que pode assumir posição no Conselho da empresa de alimentos BRF
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O grupo francês Casino, controlador do Grupo Pão de Açúcar (CBD), pediu nesta quarta-feira (20) a renúncia do empresário Abilio Diniz do cargo de presidente do conselho da maior varejista do país.

O pedido aconteceu durante assembleia extraordinária de acionistas, chamada para aprovar a substituição de dois membros do conselho indicados por Abilio.

Segundo o Casino, a entrada de Abilio na alimentícia BRF --maior empresa de alimentos do país, criada após a fusão entre Perdigão e Sadia, em maio de 2009-- configura um conflito de interesse porque a empresa é uma de suas maiores fornecedoras e compete com o Pão de Açúcar em produtos de marca própria.

"A presença do Sr. Abilio Diniz nas duas companhias causaria grande desconfiança na diretoria, nos demais conselheiros, nos acionistas e demais stakeholders (inclusive o acionista controlador). Tal cenário também colocaria a CBD em situação desconfortável no seu mercado de atuação, criando problemas de interlocução com os seus demais fornecedores relevantes dos produtos também fornecidos pela BRF", disse Marcelo Trindade, ex-presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que representou o Casino na assembleia.

Apesar de não controlar mais o Pão de Açúcar, Abilio Diniz tem cadeira vitalícia como presidente do conselho do grupo. O acerto foi feito ainda em 2005, quando Abilio vendeu o Pão de Açúcar para o grupo francês e as relações entre os dois eram boas.

O Casino hoje fala em nome da Wilkes Participações, a holding controladora da varejista, que inclui as ações do próprio Abilio Diniz. "O comportamento do Sr. Abilio Diniz, desde a assunção do controle isolado pelo Casino em meados de 2012, tem sido o de criar turbulência, ignorando o interesse da companhia (...) O Sr. Abilio Diniz é um acionista minoritário, que entretanto tenta impor sua presença apenas para obter benefícios privados, abusando do seu direito contratual de permanecer como presidente do conselho."

O pedido da renúncia foi feito como manifestação de voto do Casino, que aprovou os nomes de Cláudio Galeazi e Luiz Fernando Figueiredo, indicados por Abilio Diniz em substituição a Geyze Diniz e Pedro Paulo Diniz no conselho do grupo.

'SEM FUNDAMENTO'

Abilio reagiu ao pedido de renúncia. Segundo ele, "a iniciativa dos conselheiros indicados pelo acionista Casino é insensata e desprovida de qualquer fundamento".

"A BRF não é concorrente da CBD (Companhia Brasileira de Distribuição), mas uma de suas fornecedoras. Não existe entre as companhias relação de dependência, nem qualquer delas tem capacidade de exercer influência relevante sobre o comportamento da outra."

O empresário afirmou ainda que não se encontra na lei brasileira ou no acordo de acionistas celebrado com o Casino restrições à eventual participação dele no conselho de administração das duas companhias.

"É, aliás, muito frequente na prática empresarial a participação de investidores e executivos no conselho de administração de diferentes companhias. Na própria CBD, tal situação já se verifica", disse Abílio.

O CASO

Um acordo entre fundos de investimento e de pensão com Diniz pode fazer com que eles assumam o controle da BRF.

O fundo brasileiro Tarpon, que tem 8% das ações com voto da empresa alimentícia, e os fundos de pensão --entre eles Previ (funcionários do Banco do Brasil) e Petros (Petrobras)-- pretendem assumir o comando da companhia.

Hoje, os fundos têm 5 das 10 cadeiras do conselho de administração, com quase 33,4% de participação. Esse grupo buscava um investidor para adquirir até 5% dos papéis com direito a voto. A ideia é ter a maioria das ações com voto e maioria no conselho de administração. Além disso, querem indicar o presidente do conselho.

Conforme a Folha apurou, o empresário Abilio Diniz poderia ser o novo acionista e faria parte desse grupo na chapa que indicará nomes para o conselho.

Essa manobra está em curso porque os fundos querem marcar presença na "nova era" da companhia após a aprovação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) da fusão entre Sadia e Perdigão, em julho de 2011. Liderados pelo Tarpon, querem uma gestão agressiva e encontravam resistência.

QUEIXA

O Casino, acionista controlador do Pão de Açúcar, já havia deixado claro a Abilio Diniz, após a notícia da negociação, que é incompatível ao empresário manter o cargo de chairman do grupo varejista se assumir posição no Conselho da BRF.

Sem negar ou confirmar sua intenção de ser o principal nome do Conselho da BRF, Abilio teria dito que isso é uma hipótese e que ele não vê conflito de interesse no acúmulo dos cargos, segundo uma fonte próxima ao empresário que teve acesso ao teor da reunião da holding Wilkes. Abilio também disse ter sido consultado por alguns acionistas da BRF.

Os representantes do Casino na Wilkes insistiram que haveria conflito de ordem comercial no caso de Abilio vir a ser chairman da BRF e permanecer com função igual no Pão de Açúcar.

"Há uma relação de fornecedor e cliente, que envolve poder de barganha, além da relação do Pão de Açúcar com outros fornecedores e da relação da BRF com outros clientes", disse à Reuters uma fonte próxima ao Casino sob condição de anonimato.


Fonte: Folha de S. Paulo - Toni Sciarretta, 20.02.2013
Com reportagem de Claudia Rolli, Julio Wiziack, Marianna Aragão e Joana Cunha e Reuters

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