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A fórmula dos Setubal para preservar o clã unido

24/05/2012 17:59
Ricardo Setubal: mais de 50 membros entre os Setubal e os Villela
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Conflitos entre membros familiares são comuns, ainda mais quando há dinheiro envolvido. Criar um espaço para gerir estes conflitos é indispensável para driblar esta realidade e permitir a sobrevivência dos negócios.

Como exemplo, a morte do banqueiro Olavo Setubal, do Grupo Itaúsa, poderia ter desencadeado um grande embate entre os mais de 50 membros dos dois principais ramos da família, os Setubal e os Villela, se não tivessem se organizado e constituído um conselho familiar.

Ricardo Setubal, filho do banqueiro e atual presidente do conselho de administração da Itautec, explica que o objetivo do conselho foi proteger e perenizar o grupo para as futuras gerações.

"À medida que meu pai foi envelhecendo, surgiu a necessidade de pensarmos como ficaria o grupo sem sua liderança. Foi quando contratamos uma consultoria que nos ajudou a constituí-lo", diz.

O conselho familiar não intercede só em possíveis conflitos existentes entre os diversos membros, mas também prepara os herdeiros para atuarem no grupo, seja como conselheiro administrativo, diretor ou mesmo presidente.

"A intenção é não permitir que possíveis divergências existentes entre os parentes cheguem à companhia de modo a afetá-la".

A família Garcia, à frente do Grupo Algar, também preocupada com a continuidade dos negócios, compôs um conselho de família há pouco mais de 10 anos. A presidente do conselho, Eleusa Garcia Melgaço, é neta de Alexandrino e Maria Garcia, fundadores da companhia.

"Formamos o conselho familiar porque a segunda e a terceira gerações sentiram a necessidade de preparar os sucessores para manter os negócios saudáveis e em crescimento", explica Eleusa.

Atualmente, o conselho familiar do grupo é composto por nove membros, três de cada braço familiar: Walgar, Elgar e Algar.

Eleusinha, como é chamada por ser filha de Eleusa Garcia, dedica seu tempo integralmente à presidência do conselho familiar, e ganha por isso. "A remuneração do conselho familiar é o ápice da profissionalização da família. Mas nem sempre os membros reconhecem sua importância".

Para todos

Engana-se quem pensa que somente famílias numerosas e com sobrenome reconhecido do mundo empresarial podem compor um conselho de família.

"Toda empresa familiar tem três dimensões: de família, de propriedade (ativos e ações que compõem a empresa) e de gestão do negócio. E isso é observado desde uma padaria até uma empresa listada na bolsa brasileira. Então é preciso separar esses papéis para que um não afete o outro negativamente".

Outra sugestão é marcar os encontros para ambientes neutros, e com periodicidade estabelecida previamente.

"O conselho familiar funciona quase como um conselho de administração. É preciso constituir um estatuto, escolher um executivo para presidi-lo e estabelecer critérios de eleição de membros e suas atribuições".

Contudo, "A formação de conselho familiar dá trabalho, trata de questões intangíveis e o resultado é de longo prazo. Muitas famílias optam só por lidar com questões de governança, o que não garante a continuidade do negócio. Isso porque um conselho familiar lida com mais emoção do que com razão."

Fonte: Brasil Econômico - Vanessa Correia, 24.05.12

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