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Schincariol: A falta precoce do fundador

08/08/2011 21:37
As últimas notícias sobre o mais recente conflito que atinge membros da família Schincariol, causado por discordância na venda do controle da Empresa mostram, na prática, o contraponto entre a força de um empreendimento formado ao longo de muitas décadas e, ao mesmo tempo, a fragilidade da Empresa Familiar nos casos em que não possui instrumentos formais de profissionalização das relações entre a família e a empresa.

Não cabe fazer juízo de valor neste momento.

O que se pode aprender com estes acontecimentos ?

Desde o desaparecimento precoce do Sr. José Nelson, fundador da Schincariol, é público que a empresa e a família vêm sofrendo com seguidos conflitos, mudança brusca de rumo e perdas em sua gestão.

Enquanto vivo e consciente, o fundador toma para si a distribuição da justiça, entre os familiares. Suas decisões são conduzidas pelo seu próprio senso de justiça. Muitas delas não agradam a todos os familiares porém, não há contestação visível.

Na sua falta, e na falta de regras e acordos formais, as solicitações por liquidez, poder, status, entre outras, até então represadas, passam a ser explícitas e podem vir a causar conflitos graves.

Entre os aspectos mais importantes garantidos pela presença do fundador, no seio da família empresária estão a manutenção dos laços de confiança entre os familiares, a resolução de conflitos entre filhos, irmãos, primos, a condução ética dos rumos da família, o abrandamento das querelas familiares direcionadas à empresa.

Na empresa, a presença do fundador garante a manutenção dos valores (filosofia de atuação frente ao mercado), os rumos estratégicos do negócio, a confiança e a retenção de muitos dos principais clientes, o clima positivo entre os funcionários, a estrutura de relação dos trabalhos dos familiares-gestores.

Ainda sobre o caso Schincariol é visível que a empresa atua em um mercado mundialmente competitivo. Alguns de seus concorrentes vêm pressionando a empresa, como que à espreita de um erro que inviabilize a continuidade do controle da família e, portanto, a perda de sua posição competitiva no mercado.

O pior que poderia ter acontecido, por notícias publicadas na mídia, é a contestação de parte dos familiares-sócios, a respeito da validade das condições da operação de venda da empresa.

Tenho verificado em todas estas décadas de trabalhos com Empresas Familiares, que o início do fim da Empresa Familiar é a discórdia entre familiares controladores da empresa. Situação agravada, ainda mais, quando o conflito é levado para análise dos tribunais.

Não tenho dúvidas que esse quadro não estaria ocorrendo com a presença forte do fundador, à frente dos negócios e da família.

Resta à sua família empresária, aprender com esta amarga lição.

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