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O fundador e sua saga

27/06/2011 15:58
O falecimento do reconhecido líder José de Alencar, teve impacto similar ao de um ente querido, um familiar, isto é, fez as pessoas pararem para refletir em temas como ética na política, entre outros.

Dizem os orientais: “Frente à morte do outro, cada ser humano reflete sobre sua própria morte”. Aqui quero discutir o desafio profissional desse José, à frente de uma das tecelagens mais bem sucedidas do mundo. Uma Empresa tipicamente familiar.

Afirmo, por ter participado de muitos processos de sucessão, que o fundador só deixa seu posto na Empresa que criou, quando motivado por um novo desafio. José que teve uma história de vida muito similar à da grande maioria dos fundadores de Empresas Familiares, entregou a seu filho Josué a direção do legado empresarial construído ao longo de décadas, mesmo estando em fase de vida ainda muito produtiva. Fato não tão comum aos fundadores.

Que motivos fizeram com que José tomasse essa decisão e a cumprisse integralmente ?

O principal motivo é que na outra margem do rio esperava-o um novo desafio. Do mesmo porte daquele enfrentado décadas atrás. A nova missão era, simplesmente, assumir a vice-presidência de um país.

A Saga: Após ter criado e consolidado o empreendimento, é comum que o fundador abrace um desafio menor do que sua imensa capacidade empreendedora: administrar o negócio.

Esse desafio é “café pequeno” para pessoas da estatura empreendedora desse José. Para essa importante tarefa existem os executivos.

O fundador é um inovador, criador de empreendimentos, fomentador de novos negócios, gerador de empregos, de riquezas locais e regionais, de impostos para o Município, o Estado, a União; não apenas um funcionário graduado.

Com o objetivo de proteger a sua criatura (a Empresa), dá o melhor de si para que ela se mantenha viva, saudável, crescendo, perpetuando.

Porém, no fundo, bem lá no fundo de seu entendimento, tem plena consciência de que não está feliz. Quando a amargura aperta, lembra-se de Fernando Pessoa e segue em frente: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena !”.

E cai na armadilha do dia-a-dia, absorvido pelo turbilhão de decisões gerenciais e operacionais que a Empresa e o mercado exigem.

Em meio à dinâmica da razão-emoção, indica filhos, esposa, familiares e amigos como seus assessores qualificados acertando, mais do que errando, nessa caminhada.

Porém não consegue preencher o vazio que o incomoda, por uma razão simples: ele é o Pelé do empreendedorismo, não da administração !

Final da Saga: Mas nem tudo está perdido. Alguns fundadores conseguem passar a liderança para pessoas bem preparadas, membros da família, ou não.

Encontram novos desafios e entregam-se a eles. E se realizam como pessoas, como empreendedores ! Outros, permanecem por três ou mais décadas no poder, à frente de suas Empresas.

A história vencedora do ex vice-presidente José, e de muitos fundadores de Empresas Familiares, é exemplo para apoiar a difícil decisão que o fundador precisará tomar, um dia.

O mais saudável para o patrimônio, é que o faça ainda em vida.

Parabéns José!

E você? Tem uma história para compartilhar conosco, a respeito de um fundador?

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